Reforce a segurança do celular no Carnaval para evitar prejuízos com golpes do Pix e furtos
Júlia Galvão, São Paulo, Sp (folhapress) - 22/02/2025 08:00:22 | Foto: © THEDIGITALWAY/PIXABAY
O Carnaval, evento esperado anualmente por milhões de brasileiros, começa oficialmente no dia 1º de março, mas as comemorações do evento já tiveram início com blocos de rua em diferentes cidades brasileiras.
A data, apesar de muito esperada, costuma também aumentar a preocupação da população com a aplicação de golpes. Entre os mais comuns, estão aqueles que envolvem cartões de crédito e débito, assim, é necessário que os foliões mantenham a atenção para aproveitarem a data com segurança.
Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), nesse período é comum que golpistas que trabalham como vendedores prestem atenção nas senhas digitadas em maquininhas para depois trocar o cartão na hora de devolvê-lo.
Para evitar o golpe, a federação indica que o campo de senha das máquinas deve mostrar apenas asteriscos, além disso, o cliente não deve aceitar fazer pagamentos se o visor estiver danificado.
Como forma de garantia de que seu cartão não será trocado, é também recomendado que a própria pessoa insira e retire o cartão da máquina.
PAGAMENTO POR APROXIMAÇÃO
Durante esse período, é comum também que golpistas aproveitem o tumulto de bloquinhos para tentar ativar cartões de crédito que permitem a opção de pagamento por aproximação. Para evitar o golpe, é possível que os consumidores desabilitem temporariamente a opção.
Se o cliente desejar manter a opção ativa, a Febraban recomenda que o cadastramento seja feito apenas nos aplicativos de carteira digital. Assim, a opção só poderá ser utilizada após o desbloqueio do celular.
"O folião também pode pedir o comprovante impresso da transação ou verificar se o valor está correto nas mensagens de SMS que recebe no aplicativo do banco", afirma a federação. A opção também é válida para as operações feitas por aproximação.
LIMITE DO PIX
Para auxiliar na gestão e no controle das transações, a Febraban recomenda que o usuário ajuste o limite de transferência via Pix. A função costuma ser disponibilizada nos aplicativos de banco na área "Meus Limites Pix".
"Antes de sair de casa para curtir os blocos, revise o limite para valores que for realmente usar na festa e não esqueça de habilitar as ferramentas de segurança do aparelho", diz a federação.
QUAIS SÃO OS DIREITOS DO CONSUMIDOR?
Mariana Portugal, sócia da área de direito civil do Marcelo Tostes Advogados, afirma que o fornecedor de serviços, neste caso o banco ou a administradora do cartão, tem o dever de garantir a segurança nas transações. Assim, é possível contestar cobranças indevidas e solicitar o estorno dos valores, mesmo que a fraude só seja observada após alguns dias.
"O prazo para contestação varia conforme a política da instituição, mas geralmente é de até 90 dias a partir da data da fatura. É importante agir o mais rápido possível para aumentar as chances de sucesso na contestação e anexar o máximo de evidências ao relato", diz a especialista.
O QUE FAZER APÓS OBSERVAR O USO INDEVIDO DO CARTÃO?
Mariana diz que, assim que observarem fraudes no uso do cartão, os consumidores devem entrar em contato com a administradora para bloqueá-lo e impedir novas transações fraudulentas. É também importante registrar um boletim de ocorrência para comprovar o golpe.
"Guarde todos os comprovantes de contato com o banco ou administradora, protocolos de atendimento, e-mails e outros documentos que possam ser úteis para comprovar a fraude", indica a advogada.
DE QUEM É A RESPONSABILIDADE PELA FRAUDE?
Segundo a especialista, a responsabilidade pela fraude no cartão de crédito é, em geral, da instituição financeira, mas é possível que uma mudança aconteça caso seja comprovado que o consumidor facilitou a ocorrência.
Caso o cliente não receba o suporte necessário nessas situações, é possível:
- Registrar uma reclamação formal junto ao SAC do banco ou administradora;
- Buscar a ouvidoria da instituição;
- Registrar uma reclamação na plataforma www.consumidor.gov.br;
- Buscar o Procon de sua cidade ou estado;
- Se as tentativas extrajudiciais não resolverem o problema, o consumidor deve buscar um advogado para ingressar com uma ação judicial contra o banco ou administradora do cartão, buscando o estorno dos valores.
OUTROS CUIDADOS
A Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) recomenda também que os consumidores sigam as seguintes dicas:
- Antes de aproximar o cartão ou digitar a senha, sempre confira o valor na máquina.
- Confira se o dispositivo de venda está com o visor escuro demais ou com alguma outra característica atípica. Se isso ocorrer, não pague.
- Dê preferência ao pagamento por aproximação que, em geral, têm limite de valor, sem digitar a senha, de R$ 200. A maior rapidez da transação e a não necessidade de contato diminui o tempo de exposição do cartão.
- Cadastre-se para receber mensagens do banco emissor sempre que seu cartão for utilizado.
- Em caso de perda ou roubo do cartão, e se houver indícios de transações indevidas, a Abecs recomenda que o cliente entre em contato imediatamente com a central de atendimento do cartão.
Reforce a segurança do celular no Carnaval para evitar prejuízos com golpes do Pix e furtos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cidades conhecidas pela folia, como São Paulo e Salvador, estão entre os municípios com maior incidência de furto de celular, mostra o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Na capital paulista, o índice chega aos 1.781 furtos por 100 mil habitantes.
Por isso, os foliões precisam recorrer a estratégias diversas para proteger o aparelho, que hoje serve, ao mesmo tempo, como telefone, mapa, documento e banco.
Empresas e o governo oferecem aplicativos de bloqueio, serviço de seguro para smartphone e os brasileiros ainda são criativos, com estratégias como o "celular do ladrão" -que consiste em andar com um celular velho e sem valor, enquanto se guarda o smartphone do dia a dia em casa.
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CELULAR SEGURO
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) anunciou no fim de 2023 um app que funciona como um botão de emergência em caso de furtos -o Celular Seguro. Deixar o app configurado antes do Carnaval é o primeiro item da lista de tarefas de segurança.
Caso a pessoa seja alvo de um furto ou perca o dispositivo, ela pode bloqueá-lo na web, usando o sistema Gov.br, ou pedir para um contato de confiança bloquear o aparelho. Este contato deve estar cadastrado previamente no Celular Seguro.
O aplicativo oferece duas opções de bloqueio: uma chamada modo recuperação que encerra o acesso à linha telefônica e aos apps bancários, e o bloqueio total que impede o aparelho de receber novos chips ao ser acionado por meio do Imei, um número único que identifica o celular.
Neste último caso, só é possível reativar o celular entrando em contato com a operadora. A pasta da Justiça e da Segurança Pública também adverte que o bloqueio total ainda dificulta o trabalho da polícia na recuperação do aparelho.
Para evitar transtornos nos casos em que a pessoa encontra o aparelho perdido, o Ministério da Justiça recomenda que o app seja acionado apenas quando for necessário.
O modo recuperação foi anunciado em dezembro, e foi possível graças a uma parceria da pasta da Justiça com os bancos membros da Febraban e o Nubank. O governo ainda negocia para incluir Uber, iFood e ecommerces, uma vez que os criminosos também aproveitam o smartphone roubado para fazer pedidos.
O MJSP trabalha na criação de uma base de dados unificadas de celulares furtados para dificultar a revenda dos aparelhos receptados. No momento, há dificuldades para integrar as informações dos 16 estados que não usam a base de dados compartilhada do governo.
'MODO LADRÃO' DO GOOGLE
Nos smartphones Android, o sistema operacional do Google, os usuários têm a opção de ativar um modo de segurança, que bloqueia a tela automaticamente, quando houver a detecção de um movimento brusco. O recurso ficou conhecido popularmente como "modo ladrão" e pode reforçar a segurança do aparelho durante as festas de rua.
O usuário precisa ativar na tela de configurações essa opção, que estará desativada por padrão.
O bloqueio por detecção de roubo, como é chamado oficialmente, é ativado a partir de um gatilho ligado aos sensores e ao aplicativo aberto no smartphone. Esse mecanismo detecta a chance de alguém ter agarrado o aparelho e ter saído correndo, seja em uma bicicleta, a pé ou em um carro.
O recurso pode gerar bloqueios indesejados, uma vez que foi programado para ter mais falsos positivos do que negativos.
Trata-se de um bloqueio de tela simples, desativado com reconhecimento biométrico ou senha, diferentemente do bloqueio presente no "Encontre meu dispositivo", em que o usuário pode deixar uma mensagem na tela do smartphone.
PROTEÇÃO DE DISPOSITIVO ROUBADO DA APPLE
A Apple tem, nos iPhones, um recurso para dificultar que mesmo ladrões que têm o código de desbloqueio de um celular roubado acessem senhas salvas, façam operações financeiras por meio de aplicativos e restaurem os padrões de fábrica para vender os aparelhos.
Esse modo, que pode ser ativado nos ajustes do aparelho, impõe camadas de autenticação adicionais quando o iPhone está longe de locais conhecidos, como casa ou trabalho. A ferramenta chama-se "Proteção de dispositivo roubado".
Para acessar senhas e cartões de crédito armazenados, o dispositivo solicita reconhecimento facial ou de digital -Face ID ou Touch ID-, que não poderão ser substituídos pela senha de acesso ao aparelho.
A alteração da senha no sistema da Apple (Apple ID) ainda fica bloqueada por uma hora, quando o dispositivo pede nova autenticação com Face ID ou Touch ID. Dessa maneira, a fabricante espera aumentar as chances do usuário consiga marcar o aparelho como perdido para apagar ou bloquear dados.
O recurso está disponível para iPhone XR e modelos posteriores.
CADEADO GALAXY
A Samsung também oferece uma opção de bloqueio de aplicativos e dados bancários em seus aparelhos: o cadeado Galaxy.
Nesse serviço, o usuário pode ligar a uma central telefônica da Samsung ou acessar este site para bloquear o aparelho pelo Imei, assim como faz o celular seguro. O atendimento funciona 24 horas por dia pelos telefones 4004-0000 (capitais e grandes centros) ou 0800 555 0000 (demais cidades e regiões).
Os donos dos smartphones mais recentes da empresa coreana (ver lista abaixo) podem usar o serviço de segurança da Samsung de graça por um ano. Depois, o pacote passa a custar R$ 39,90 por ano (o valor vai para R$ R$ 59,90 no caso da licença bianual).
A empresa coreana disponibiliza teste de um ano para os seguintes aparelhos:
- Galaxy S25, S25+ e S25 Ultra
- Galaxy S24, S24+, S24 Ultra e S24 FE
- Galaxy S23, S23+, S23 Ultra e S23 FE
- Galaxy S22, S22+ e S22 Ultra
- Galaxy S21, S21+, S21 Ultra e S21 FE
- Galaxy Z Flip3, Z Flip4, Z Flip5 e Z Flip6
- Galaxy Z Fold3, Z Fold4, Z Fold5 e Z Fold6.
O cadastro, no teste gratuito, pode ser feito neste site usando um dos smartphones mencionados acima.
LIMPE O SMARTPHONE ANTES DA FOLIA
Outro problema recorrente após ocorrências de furto e roubo de smartphone é a extorsão, usando informações sensíveis mantidas em conversas em aplicativos ou de fotos íntimas. Limpar o celular de qualquer material que possa subsidiar crimes também ajuda.
O consultor em segurança pessoal Fernando Soares recomenda ainda que os foliões excluam aplicativos bancários e de comércio virtual que não forem estritamente necessários, uma vez que os criminosos podem fazer compras com o aparelho surrupiado.
Outra opção de segurança é manter os aplicativos que podem gerar prejuízos financeiros em uma pasta protegida por senha. Esse recurso pode ser acessado nas configurações de iPhones e dispositivos Android.
Aplicativos bancários também oferecem travas internas para aumentar a segurança. O Nubank tem o modo rua, que permite fazer transações apenas quando se está conectado a redes wifi registradas. O C6 configura sua trava para liberar o aplicativo apenas quando o usuário está em locais conhecidos, como a casa ou o trabalho.
Os bancos, em geral, ainda permitem limitar as quantias movimentadas usando o Pix em um dia.
CELULAR DO LADRÃO
Entre quem decidiu levar um smartphone para a folia, uma tendência é aderir a um aparelho velho e de baixo valor de mercado.
Outra dica é deixar apenas os aplicativos necessários para comunicação e localização durante a festividade, como WhatsApp e mapas.
A Polícia Civil de São Paulo (PCSP) recomenda que os foliões nunca guardem o celular no bolso de trás durante a festa. Uma opção é guardar o celular em doleiras mantidas sob as roupas.
As autoridades aconselham que as pessoas evitem tirar fotos onde houver risco de furto ou roubo. Manusear o aparelho em público é contraindicado.
"Caso se perca de seus amigos, marque um horário e um ponto de encontro", recomendam a polícia judiciária. "Se, eventualmente, for abordado por uma pessoa suspeita, não reaja, não grite e não discuta", acrescentam.
SEGUROS PARA SMARTPHONE
Como a perda do celular é sempre um risco, outra medida de segurança para os foliões é a contratação de um seguro. Os valores das parcelas da apólice, que dura um ano, partem de R$ 15 ao mês -é possível fazer cotações online e em celulares mais recentes a mensalidade ultrapassa os R$ 100.
Ao contratar o serviço, o cliente deve checar se o seguro cobre furto e danos acidentais. No caso da Pier, o serviço não cobre esta última categoria de sinistro. Já no pacote da Kakau, os furtos estão descobertos pela apólice.
A Pier é a única empresa que não cobra franquia, mas oferece dois pacotes -um que devolve 100% do valor do aparelho e outro 75%. O padrão do mercado é cobrar, na franquia, 25% do valor da cobertura.
Também oferecem o serviço: Porto, Ciclic e BemMaisSeguro.
CELULAR RESERVA A BAIXO PREÇO
No caso de quem já sofreu o furto ou perdeu o aparelho, há também a possibilidade de aluguel de celulares por curtos períodos. Isso dá ao folião furtado o tempo para comprar outro celular com calma sem deixá-lo desconectado do mundo virtual.
As lojas paulistanas Commcenter e Commshop, revendedoras da Vivo, por exemplo, oferecem o serviço AlugaCell. "Seu celular foi roubado? Tenha um smartphone reserva", diz anúncio nos pontos comerciais.
O aluguel de um aparelho por 15 dias custa a partir de R$ 118,80 (por um aparelho de entrada) e sobem até R$ 238,80 por iPhones.
Passada a quinzena, a loja oferta ainda a possibilidade do aluguel diário. Para fechar o contrato, é necessário ter, em mãos, documento com CPF e um cartão de crédito para cobrança de caução.
O contratante do serviço fica com a responsabilidade de zelar pelo aparelho. Em caso de furto ou roubo do celular alugado, o cliente deve ressarcir a empresa com o valor de mercado do dispositivo e entregar boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil.
Caso a loja que alugou o celular ou a polícia encontre o aparelho, a proprietária devolve o dinheiro ao cliente com descontos da receita perdida durante a ausência do celular.
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