Netanyahu mantém genocídio palestino para se manter no poder, diz analista geopolítico

Podcast O Estrangeiro abordou a retomada de ataques em Gaza

Netanyahu mantém genocídio palestino para se manter no poder, diz analista geopolítico
Netanyahu mantém genocídio palestino para se manter no poder, diz analista geopolítico

Por Karolina Monte - Portal Bdf - 21/03/2025 16:54:18 | Foto: Reprodução ONU/Loey Felipe

Na última segunda-feira, Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza e retomou o genocídio palestino, que teve uma breve pausa em 19 de janeiro, após um acordo de cessar-fogo. Israel rompeu a trégua com o Hamas e matou mais de 500 palestinos em apenas dois dias. Este foi o tema do episódio da semana de O Estrangeiro , videocast de política internacional do Brasil de Fato.

Arturo Hartmann, analista geopolítico, disse que “o que Netanyahu diz oficialmente é que ele quer destruir o Hamas e resgatar os reféns”. Mas, se “pensar logicamente, ele não vai conseguir destruir o Hamas. E pelas operações militares que ele voltou a fazer, ele também não vai conseguir resgatar os reféns. […] Os bombardeios têm mais probabilidade de matar os reféns do que salvá-los”.

Além disso, Netanyahu “tem um problema interno para se sustentar no poder”. O analista relembrou momentos em que o primeiro-ministro israelense se envolveu em casos de corrupção, como um documento “mais ou menos vazado” logo no início do genocídio israelense, que “pensava em um cenário pós-Gaza”, que continha planos da extrema direita de “expulsão dos palestinos e recolonização de Gaza”.

O segundo caso, divulgado nos últimos dias, envolve um líder do serviço de inteligência israelense que recebia dinheiro do Catar. Netanyahu está, neste momento, tentando destituir o líder do cargo. “Obviamente isso vai atingir ele mais uma vez.”

Serguei Monin, correspondente do Brasil de Fato na Rússia, relembrou o desinteresse da extrema direita em encontrar uma solução para o genocídio em Gaza: “temos a questão da corrupção; com os ataques [a Gaza] você desvia a atenção da mídia interna”.

“Existe também um orçamento que precisa ser aprovado até o dia 31 de março, e, se isso não acontecer, o governo [de Netanyahu] pode cair”, explicou Serguei. “A volta da guerra de uma maneira tão drástica é um ativo político para [a permanência] de Benjamin Netanyahu. E esses movimentos deixam muito claro isso”, pontuou.

O papel da Rússia e o consenso do imperialismo

Serguei informou que “a Rússia condenou o ataque. […] Ela sempre teve uma relação ambígua com Israel, sempre foi próxima, tem relações comerciais fortes. Mas após a guerra na Ucrânia, a Rússia modulou sua política externa em relação ao Oriente Médio, sendo mais pró-Palestina, mas sem criar uma tensão muito forte com Israel”.

Sobre o papel dos EUA em guerras globais, como o apoio a Israel e a tentativa de solucionar a guerra na Ucrânia, por exemplo, mostra que “o Trump está criando uma nova estratégia imperial”.

Ele pontuou que “a porta-voz do governo já se manifestou dizendo que o ataque israelense que matou mais de 500 pessoas foi coordenado com a Casa Branca, ou seja, o governo de Benjamin Netanyahu informou os EUA que iria romper o cessar-fogo”.

Esta atitude revela “o esforço de Trump em se mostrar como alguém que vai resolver conflitos internacionais, sobretudo o da guerra na Ucrânia”, disse Hartmann, “pela retórica e pelas ações. Ele quebra o laço com a Europa, [há] uma mudança de política [de apoio irrestrito] em relação à Ucrânia, mas não em relação a Israel e Palestina.”

O analista explicou as diferenças de visão que o republicano tem diante das nações financiadas belicamente pelos EUA: “no caso da Ucrânia, os EUA alimentavam a parte invadida territorialmente. No caso de Israel e Palestina, eles financiam o invasor”.

“O Trump não mais enxerga a Ucrânia como um ativo. Ele pode, inclusive, barganhar com a Ucrânia, em termos de recursos naturais. Agora, Israel continua um ativo estratégico para os EUA do ponto de vista do Trump.”

O futuro de Gaza

Países da comunidade árabe, como Arábia Saudita, Egito e Catar, têm colocado à mesa planos de negociações para um possível futuro de governança de Gaza.

Para o analista, o problema de um plano como esses “é que todo mundo decide a vida dos palestinos, menos os palestinos”. “Cada um tem seu interesse. O de um país árabe pode até ser acabar com o genocídio. Mas o principal é ter relações com Israel. Então [o país precisaria] acabar com isso [o genocídio]”.

“O principal é os palestinos terem voz no que eles querem. E não vai ser fácil também, porque eles estão divididos, e esse é um outro problema. Eles não têm um governo unificado. Hoje, não têm uma voz, um partido, uma frente que seja, que diga, olha, nós queremos o fim do genocídio, fim da ocupação militar.”

“Eles querem a libertação, isso é um consenso. Mas quais os passos para chegar a isso, e um projeto único, e uma frente única, não existe. Inclusive, o domínio israelense garantiu que isso fosse dividido”, completou Hartmann.

O podcast O Estrangeiro é apresentado por Lucas Estanislau e Rodrigo Durão ao vivo toda quinta-feira às 10 horas.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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