Entre os produtos mais afetados estão o suco de laranja, que abastece 90% do mercado dos EUA, e a carne bovina processada, que responde por 63% das importações de Washington
Agência Xinhua - 05/04/2025 16:52:48 | Foto: ivabalk por Pixabay
Rio de Janeiro, 3 abr (Xinhua) -- As tarifas de importação anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm como objetivo fortalecer a economia dos EUA e gerar empregos domésticos, mas, a longo prazo, podem ter efeitos muito contraproducentes tanto para os EUA quanto para seus parceiros comerciais, de acordo com o economista brasileiro Livio Ribeiro.
Em entrevista nesta quinta-feira, Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-IBRE) e especialista na China, enfatizou que a visão de Trump e sua equipe econômica se baseia na premissa equivocada de que o comércio internacional enfraqueceu a economia dos EUA, transferindo empregos industriais para o exterior e reduzindo a prosperidade do país.
"Dessa perspectiva, eles acreditam que é necessário atrair investimentos e produção de volta aos EUA para estimular o emprego e a renda doméstica", explicou Ribeiro.
Rio de Janeiro, 3 abril (Xinhua) -- A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou nesta quinta-feira preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas de importação sobre produtos brasileiros, o que pode afetar seriamente a competitividade do agronegócio no mercado norte-americano, especialmente em produtos como carne, café e suco de laranja.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que seu governo impôs tarifas com piso de 10% sobre produtos do Brasil, que tem os EUA como seu segundo maior parceiro comercial, atrás da China, desde 2009.
"Esse aumento compromete a competitividade de importantes produtos do agronegócio brasileiro, como café verde e suco de laranja", afirmou a CNA em nota técnica divulgada quinta-feira.
Segundo dados da CNA, em 2024, os EUA foram responsáveis por 7,4% das exportações do agronegócio brasileiro, totalizando US$ 12,1 bilhões.
Entre os produtos mais afetados estão o suco de laranja, que abastece 90% do mercado dos EUA, e a carne bovina processada, que responde por 63% das importações de Washington.
O estado de São Paulo, principal produtor de suco de laranja para exportação, é um dos mais afetados.
"O aumento das tarifas de importação pode reduzir nossa participação no mercado americano e afetar negativamente a renda dos produtores brasileiros", afirmou a CNA.
A principal associação rural do Brasil afirmou que "o mercado dos EUA é fundamental para a agricultura brasileira e essa decisão pode ter impactos de longo prazo na cadeia produtiva".
Nesse sentido, a organização pediu que o governo brasileiro dê continuidade às negociações diplomáticas para mitigar os efeitos dessas medidas e evitar uma escalada de barreiras comerciais.
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