PF faz buscas em alvos da Operação Overclean, que mira desvios de emendas

São apurados os crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça.

PF faz buscas em alvos da Operação Overclean, que mira desvios de emendas
PF faz buscas em alvos da Operação Overclean, que mira desvios de emendas

João Pedro Pitombo - Constança Rezende, Salvador, Ba, E Brasília, Df (folhapress) - 03/04/2025 08:34:49 | Foto: Controladoria-Geral da União

O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão e o afastamento de um servidor de suas funções no âmbito da Operação Overclean, que mira desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro com recursos de emendas parlamentares, além de fraude em licitação.

A terceira fase da operação foi deflagrada nesta quinta-feira (3) pela Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União. Os mandados estão sendo cumpridos em Salvador, São Paulo Belo Horizonte e Aracaju. Os nomes dos alvos não foram revelados.

As investigações apontam para a atuação de um grupo criminoso que teria atingido o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), órgão ligado ao Ministério da Integração Nacional, especialmente na Bahia.

O grupo, segundo a PF, direcionava recursos de emendas parlamentares e convênios para empresas ligadas a administrações municipais, com superfaturamento de obras e desvios financeiros.

As investigações da PF apontam que o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos e obras superfaturadas.

São apurados os crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça.

A investigação sobre suposto desvio de emendas parlamentares em contratos do Dnocs foi remetida ao STF em janeiro após menção ao deputado federal Elmar Nascimento, líder do União Brasil na Câmara. O relator é o ministro Kassio Nunes Marques, que em fevereiro impôs sigilo ao caso.

Na primeira fase da operação, em dezembro, a Polícia Federal cumpriu 43 mandados de busca e apreensão, 17 de prisão preventiva e ordens de sequestro de bens.

Entre os presos, estavam os empresários e irmãos Alex Rezende Parente e Fábio Rezende Parente, além de Lucas Lobão, que comandou o Dnocs na Bahia durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

Também foi preso na época o empresário José Marcos de Moura, conhecido como "rei do lixo", que atuava no setor de limpeza urbana e era membro da cúpula nacional do União Brasil.

Porém, na última quinta-feira (19), a juíza Daniele Maranhão, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), revogou as prisões preventivas realizadas na primeira fase. A magistrada determinou que os suspeitos usem tornozeleira eletrônica e não mantenham contato com outros investigados.

A segunda fase da operação, também em dezembro, determinou a prisão preventiva de quatro pessoas.

Entre os presos na segunda faz estavam Vidigal Cafezeiro Neto (Republicanos), na época vice-prefeito de Lauro de Freitas (BA), Lucas Dias, então secretário de Mobilidade Urbana de Vitória da Conquista (BA), e o lobista Carlos André, apontado como operador do esquema.

Além deles, o policial federal Rogério Almeida Medeiros foi preso e a servidora da prefeitura de Vitória da Conquista Lara Betânia Lélis Oliveira foi afastada do cargo.

As investigações apontaram que a organização contava com o apoio de policiais, que repassavam informações, incluindo a identificação de agentes federais envolvidos em operações sigilosas.

Na época, as prefeituras de Lauro de Freitas e Vitória da Conquista afirmaram colaborar com as investigações.

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