×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 29 de novembro de 2021

Do discurso à política, Jair Bolsonaro é racista

Do discurso à política, Jair Bolsonaro é racistaFoto: Rosilene Corrêa - Sinpro-DF

É através da execução de sua política que Bolsonaro refaz o caminho dos escravagistas

Rosilene Corrêa - Sinpro-df - 22/11/2021 - 09:30:49

São várias as manifestações de Jair Bolsonaro marcadas pelo crime de racismo. Antes ou depois de ocupar a cadeira da presidência da República, o capitão reformado do Exército nunca teve pudor ao proferir barbaridades contra a população negra. Mas é através da execução de sua política que Bolsonaro refaz o caminho dos escravagistas.

No discurso, Bolsonaro já se referiu a negros em medida de peso adotada para gado; já disse que o “black power” de um de seus apoiadores era para “criação de barata”; já afirmou que não “corria risco” de um filho seu se apaixonar por uma mulher negra, pois eles “foram muito bem educados”.

A fala discriminatória, muitas vezes revestida de “piada” – o que não tem graça nenhuma em um país marcado pelo racismo –, é aplicada severamente nos projetos e propostas de Bolsonaro, inclusive no setor da Educação.

Prova disso é o desmonte do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O órgão do Ministério da Educação (MEC) teve a debandada de 37 servidores, que pediram exoneração diante da política aplicada pelo presidente do Instituto, Danilo Dupas, indicado pelo governo federal.

Mais que a desvalorização e o desrespeito com o serviço e os servidores públicos, o desmantelamento do Inep reflete no prejuízo incalculável às pessoas negras. Isso porque, entre suas atribuições, o Inep é responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a principal porta de acesso ao ensino superior no país, sobretudo para negros e pobres.

Aliás, foi por causa da determinação de Bolsonaro de retirar a isenção de taxa de quem faltou à última edição da prova do Enem, que o exame teve a menor proporção de inscritos pretos, pardos e indígenas dos últimos dez anos em 2021.

No grupo dos 15 milhões de desempregados – um dramático cenário gerado pela política anti-povo de Bolsonaro –, a maioria também é negra. Sem política de garantia de emprego e diante da carência total de proteção social e trabalhista, negras e negros foram os que mais perderam os postos de trabalho. E também são negras e negros que recebem os menores salários, independente da formação.

Na multidão dos 19 milhões de famintos, negras e negros também são maioria. Com a política de Bolsonaro, o Brasil voltou ao Mapa da Fome e atacou sobretudo a população negra, que historicamente está também em maioria na camada socioeconomicamente vulnerável.

Também foram as negras e os negros os mais afetados pela pandemia da covid-19. Foram elas e eles os que menos se beneficiaram do trabalho remoto e os que mais foram vítimas fatais do vírus que ultrapassou a marca de 612 mil mortos no Brasil. Isso porque é imposto à população negra a dificuldade do atendimento de saúde, a moradia precária – onde um cômodo abriga dez pessoas –, a precarização do trabalho e tantas outras condições subumanas.

Não bastasse tudo isso, foi também no governo de Bolsonaro que cresceu o genocídio de jovens negros nas periferias e o feminicídio que atinge principalmente mulheres negras.

É fato que as condições desumanas impostas a negras e negros reflete o racismo estrutural que há séculos acomete o Brasil. Entretanto, Bolsonaro vai na contramão de tudo que vinha sendo feito. Ele demoliu as políticas afirmativas para inserir negras e negros nas universidades; condenou programas sociais que garantiam comida no prato dos mais pobres (que também são majoritariamente negros); endemonizou a inserção da população negra no mercado de trabalho através do sistema de cotas. Bolsonaro é o avesso da igualdade racial e, ao mesmo tempo, a cara do preconceito contra o povo negro do Brasil.

É por isso que neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o ato pelo impeachment de Bolsonaro terá como mote o “Fora Bolsonaro Racista”. Este será um momento histórico em que negras e negros mostrarão que vêm sendo sim as principais vítimas de um desgoverno descredibilizado internacionalmente, mas que jamais aceitarão ser subjugados.

*Rosilene Corrêa é professora aposentada da rede pública de ensino do DF e dirigente do Sinpro-DF e da CNTE.

**Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha do editorial do jornal Brasil de Fato - DF.

:: Clique aqui para receber notícias do Brasil de Fato DF no seu Whatsapp ::

Edição: Flávia Quirino

Comentários para "Do discurso à política, Jair Bolsonaro é racista":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Saiba quais partidos já confirmaram pré-candidaturas à Presidência

Saiba quais partidos já confirmaram pré-candidaturas à Presidência

Governador de SP venceu disputa com Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio - Divulgação/PSDB

Grupo de WhatsApp simboliza apoio de cúpula militar a Sérgio Moro

Grupo de WhatsApp simboliza apoio de cúpula militar a Sérgio Moro

Na semana passada, a filiação do general Carlos Alberto dos Santos Cruz ao Podemos, partido do presidenciável Sérgio Moro, expôs um movimento que pode rachar o apoio ao presidente Jair Bolsonaro nas Forças Armadas

Simone Tebet: Mais um nome na disputa da terceira via

Simone Tebet: Mais um nome na disputa da terceira via

Anúncio da candidatura de Simone Tebet aumenta opções em 2022

Ida de Santos Cruz ao Podemos sinaliza divisão dos militares entre Moro e Bolsonaro

Ida de Santos Cruz ao Podemos sinaliza divisão dos militares entre Moro e Bolsonaro

Bate-papo com Hélio Doyle

'O Brasil cometeu o equívoco de minimizar a questão do desmatamento', diz Kátia Abreu em entrevista

'O Brasil cometeu o equívoco de minimizar a questão do desmatamento', diz Kátia Abreu em entrevista

'O Brasil cometeu o equívoco de minimizar a questão do desmatamento', diz Kátia Abreu à Sputnik

Justiça do DF nega indenização por charge com informação equivocada sobre herança de Mariza Leticia

Justiça do DF nega indenização por charge com informação equivocada sobre herança de Mariza Leticia

Turma nega indenização por charge com informação equivocada sobre herança de ex-primeira dama

Congresso tem sessão solene pelo fim da violência contra as mulheres

Congresso tem sessão solene pelo fim da violência contra as mulheres

Sessão marcou o início da campanha dos "16 Dias de Ativismo"

Itamaraty troca seu alto escalão e revê políticas de Ernesto Araújo

Itamaraty troca seu alto escalão e revê políticas de Ernesto Araújo

Mudanças na entidade ainda dependem de indicações formais do presidente Jair Bolsonaro para a chefia de embaixadas.

A revogação da chamada

A revogação da chamada "PEC da Bengala" e o casuísmo no processo legislativo

A deputada bolsonarista e presidente da CCJC, Bia Kicis, revogou a Emenda Constitucional 88 restabelecendo a idade de 70 anos para aposentadoria, a fim de favorecer nomeações de Jair Bolsonaro ao STF

Repressão a movimentos populares é

Repressão a movimentos populares é "calcanhar de aquiles" de Mendonça em sabatina no Senado

Indicação de Mendonça deve ser levada à CCJ na próxima semana; data ainda não foi definida

Que falta nos faz um país

Que falta nos faz um país

Que falta nos faz um país é o título de uma das matérias desfiando uma das canções de Aldir Blanc