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ContextoExato

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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 17 de maio de 2022

Brasil CulturalFoto:

Há notas melancólicas também nos 36 poemas que Joyce publicou em seu primeiro livro

Imagine a paisagem literária do século passado sem "Ulisses", o monumento modernista que revolucionou a história do romance. Suponha que seu autor, James Joyce, tenha morrido prematuramente (na vida real, ele se foi em Zurique, em 1941, aos 58 anos), antes de escrever a obra-prima que neste 2022 completou um século. Ou que seu ímpeto criativo tenha se arrefecido depois que Joyce fez fortuna com o cinema de Dublin no qual investiu em 1909 (ele de fato se arriscou nesse empreendimento, mas só teve prejuízo). Para a hipótese que está se construindo aqui, vamos roubar ao escritor irlandês também "Um Retrato do Artista Quando Jovem" e, claro, o radical Finnegans Wake. Mas lhe concedemos os contos de "Dublinenses".
Esse Joyce amputado decerto constaria em antologias dos melhores contos em língua inglesa, com "Os Mortos", mas não estaria ombro a ombro com Proust e Kafka entre os monstros sagrados da ficção moderna. Nesse triste mundo alternativo, que atenção ganharia "Exílios e Poemas" (Penguin/Companhia), que traz uma peça de teatro e o corpo principal da produção poética de Joyce, na tradução de Caetano W. Galindo? Bem, o autor do presente texto admite, vexado, que talvez não pensasse em resenhar a obra se ela não viesse com a grife do genial criador de "Ulisses". E é possível que o livro nem sequer ganhasse guarida nas editoras. Isso tudo seria uma pena, pois a peça e os poemas reunidos aqui têm encantos próprios, que não dependem das realizações maiores de Joyce. ...Leia mais