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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 18 de janeiro de 2022

Os diários de FHC segundo Rodrigo Pesaro

Os diários  de FHC segundo Rodrigo PesaroFoto: Arte reprodução Maria José Rocha Lima[1]

Outro Lado

Por Maria José Rocha Lima[1] - 14/01/2022 - 19:05:51

Na livraria, folheando os Diários da Presidência de Fernando Henrique Cardoso, me vieram à mente memórias muito felizes e graciosas de um coleguinha do meu filho, Rodrigo Pesaro, filho do deputado Floriano Pesaro, um estimado e fiel amigo do ex-presidente. Eram bons tempos, aqueles, da turminha da escola Vivendo e Aprendendo. Tanto os meninos como os pais eram “engajados na política”. Quase todos eram filhos de políticos ou ex-deputados, como eu, altos funcionários dos ministérios, do Congresso Nacional, da Universidade de Brasília e do Governo do Distrito Federal. Não era raro encontrarmos o deputado Haroldo Lima, o secretário executivo do MEC Floriano Pesaro, entre outras autoridades, no pátio da Vivendo.

Eu já vim da Bahia com a indicação da deputada Lídice da Mata para botar o meu filho na Escola Vivendo e Aprendendo, onde Bruninho, filho dela, estudou. Recomendação reforçada por Thâmar Dias, uma queridíssima amiga e companheira de militância da minha juventude. Ela informava que era uma escola alternativa, uma cooperativa de professores da UnB, muito arborizada, com boa metodologia e bons professores, e nela as crianças se sentem muito bem. Também os pais são da nossa turma. Ela matriculou Lucas Dias, que lamentavelmente faleceu há dois anos, e eu matriculei nosso filho, Lucas Vicente.


Todos os meninos e meninas eram superestimulados, muito sabidinhos e muito sabidinhas: Maria clara, Marina, Alice, Nina, Lara, Mariah, Maria Geovana, Lucas Las Casas, Lucas Vicente, Lucas Dias, Ítalo, Leo Mendes, Leo Campos, Rodrigo Pinheiro, Higor, Daniel Madeira, Gabriel Gonçalves e Rodrigo Pesaro.


Rodrigo Pesaro, nosso vizinho, era um menininho muito vivo, muito pequeno e antenado, com 3 ou 4 anos. Assim, Rodrigo frequentava a nossa casa e me via sempre lendo, interessada em política, talvez tenha ouvido alguém falar que eu tinha sido deputada e, por isso, ele me dava frequentemente notícias do presidente. Ele me chamava Zsché:
- Zsché, saiu no jonal que Fernando Henrique viajou!
Eu perguntava para onde e ele respondia:
- Ele foi para a Fança.


Eu comentava: que bacana, Rodrigo!
Outro dia ele me perguntava:
- Zsché, você sabia que Fernando Henrique vai viajar hoje?
- Como você soube?
- Saiu no jonal.


- Ele vai para onde?
Eele vai pos Estados Unidos.


Rodrigo Pesaro, de outras feitas, saía pela tangente, quando não sabia o destino do presidente. Ele simplesmente, ele, me respondia que o presidente viajara de avião. E foi assim, durante um bom tempo.


Há cinco anos, Thâmar Dias promoveu uma linda festa comemorativa da maior idade dos ex-colegas da Vivendo e Aprendendo, a festa dos 21 anos, no dia em que o seu filho Lucas Dias completara 21 anos, porque afinal todos tinham a mesma idade, diferença de idade em meses. Lamentavelmente Thâmar perdeu o seu filho Lucas Dias, dois anos após esse belo encontro. Ela parecia adivinhar, realizando aquele encontro de despedida. Todos nos encontramos na Vivendo e Aprendendo, os pais acompanhados dos filhos. Rosana Teatine, como arquiteta, construiu um túnel no qual atravessávamos e encontrávamos lindas fotos de todos os guris e gurias, nas maiores traquinagens. Todos, agora rapazes e moças, vieram para a festinha dos vinte e um anos, até quem morava fora de Brasília.

Havíamos perdido o contato com muitos, como Rodrigo, que morava em São Paulo. Estes não nos reconheciam mais.


E Rodrigo Pesaro já era um bonito rapaz, alto e já não me deu notícias do ex-presidente. E não é que ele esteja distante do FHC, pelo contrário, porque, tão perto, já não dá notícias a quem não interessa.


Fiquei triste porque ele não me reconheceu, já não me deu notícias do presidente, tive um sentimento semelhante ao daquelas mães que não querem que os filhos cresçam. Saudade daquelas notícias tão graciosamente dadas por Rodrigo Pesaro, que àquela altura ainda tinha a linguinha meio presa, meio enrolada.


E sobre FHC, Rodrigo, lerei os seus diários nas horas vagas, mas desnecessariamente, porque você já havia me contado tudo, sobre as viagens, é claro.



[1] Maria José Rocha Lima é mestre e doutora em educação e Psicanálise. Foi deputada de 1991 a 1999. Presidente da Casa da Educação Anísio Teixeira. Diretora administrativa da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Psicanálise - ABEPP . Filiada à Soroptimist International SI Brasília Sudoeste.

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