Dia Mundial de Conscientização do Autismo: conheça a história da mãe atípica e servidora do TJDFT

Transtorno do Espectro Autista

Dia Mundial de Conscientização do Autismo: conheça a história da mãe atípica e servidora do TJDFT
Dia Mundial de Conscientização do Autismo: conheça a história da mãe atípica e servidora do TJDFT

© Tribunal De Justiça Do Distrito Federal E Dos Territórios – Tjdft - 02/04/2025 16:51:29 | Foto: © Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios – TJDFT

Nesta terça-feira, 2/4, em alusão ao dia Mundial de Conscientização do Autismo, o Sementes da Inclusão traz um pouco dos aprendizados e desafios de inclusão de pessoas autistas, a partir da experiência da mãe atípica e servidora do TJDFT, Renata Latini, 42 anos. Ela é mãe de Helena, hoje com seis anos, que foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos três anos.

A interação social é um desafio. Ambientes com muito barulho, aglomeração de pessoas e luzes causam sobrecarga e desorganização sensorial. Sair para almoçar em um restaurante é difícil, ela estranha o espaço. Diante de situações de irritabilidade ou até agressividade, algumas pessoas te olham com olhar de julgamento, como se fosse uma questão de educação (ou falta dela)”, conta.

Renata é mãe de duas filhas. Além de Helena, ela é mãe e principal cuidadora da filha de 10 anos. Para ela, os desafios são muitos e vão desde conciliar as necessidades das duas filhas e entender os sentimentos da caçula até a vida pessoal e profissional.

“Minha filha é não-verbal. Eu acho que compreender o que ela sente é um dos maiores desafios. Porque às vezes parece estar tudo bem e, de repente, começam momentos de muita irritabilidade. Não sei, por exemplo, se ela já chorou e ficou nervosa por sentir uma simples dor de cabeça. Para uma criança autista, tudo pode ficar muito intenso. Helena ainda é muito dependente para fazer as tarefas do dia a dia, sempre precisa do apoio de um adulto para direcionar os comandos e ajudá-la na execução: banho, calçar-se, vestir-se, comer, tomar as medicações. Iniciamos o processo do desfralde agora aos seis anos. Às vezes, ela se coloca em risco, então é preciso atenção redobrada, o estado de alerta é constante. De uma forma mais abrangente, é um desafio conciliar as demandas completamente diferentes de ambas as filhas, as responsabilidades da vida pessoal e profissional e os cuidados com a minha própria saúde, porque eu sou o pilar da família e preciso estar bem para dar conta de tudo”, compartilha.

O diagnóstico

Renata conta que começou a suspeitar do autismo em sua filha Helena por volta de 1 ano e 3 meses. A criança não estava desenvolvendo a fala.

"Helena começou a apresentar u ma agitação muito grande, distúrbio de sono e algumas estereotipias, como olhar vago, se isolar nos cantos da casa, ausência de interação. Neurologistas disseram que havia um ‘risco para autismo’. Próximo aos dois anos, ela começou a fazer as terapias de suporte. O diagnóstico foi confirmado aos três anos ”, relembra.

Condição de trabalho e cuidado

No TJDFT, a Portaria Conjunta 132 de 07/12/2020 instituiu a Política que garante condições especiais de trabalho a magistrados(as) e servidores(as) com deficiência, necessidades especiais ou doença grave, bem como aos que tenham filhos(as) ou dependentes legais na mesma condição. Mãe atípica, Renata solicitou condições especiais de trabalho e hoje está em regime de teletrabalho integral, o que permite conciliar o trabalho como servidora pública e os cuidados com as filhas, em especial de Helena. O teletrabalho integral também permite que ela cuide da sua saúde.

“Sou divorciada e não tenho rede de apoio familiar. A logística de horários e deslocamentos demanda bastante, a rotina terapêutica fica sob minha responsabilidade e é indispensável para que a minha filha consiga desenvolver habilidades e ter mais qualidade de vida a médio/longo prazo. O teletrabalho integral também foi muito importante para que eu conseguisse encaixar uma rotina de atividade física e terapia para meu autocuidado, que faz toda a diferença no meu dia a dia, tanto em termos de saúde mental quanto em relação ao meu trabalho, para que eu consiga produzir com qualidade. É preciso ter um olhar também para quem cuida ”, ressaltou.

Transtorno do Espectro Autista

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de desenvolvimento cerebral que afeta a capacidade de relacionamento com as pessoas e com os estímulos do ambiente, em especial sons e luzes. O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que tem como características alterações na comunicação social, dificuldades de socialização e padrões de comportamento e movimento repetitivos.

Por não ser uma doença, o autismo não tem cura. Com uma rede de acolhimento e apoio, intervenções multidisciplinares adequadas e suportes ambientais, é possível proporcionar as condições para a efetiva inclusão de pessoas com autismo na sociedade.

Legislação

Juridicamente, o autismo está definido na Lei nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana), que considera a pessoa com TEA pessoa com deficiência para todos os fins legais. Outras leis que abordam os direitos das pessoas autistas são a Constituição Federal, a Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015). Há, também, normativos editados pelo Poder Judiciário, com previsões aplicáveis às pessoas com deficiência, inclusive às autistas, como a Resolução n. 343/2020 e a Resolução n. 401/2021, ambas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Conheça mais direitos das pessoas autistas e outras formas de garantir o atendimento inclusivo no Manual de Atendimento a Pessoas com Transtorno do Espectro Autista do CNJ.

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