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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 18 de janeiro de 2022

“Temos capacidade para fazer, somos empreendedoras e muito valentes”, afirma venezuelana

“Temos capacidade para fazer, somos empreendedoras e muito valentes”, afirma venezuelanaFoto: ONU Mulheres Brasil / Paola Bello

Yidri foi uma das mulheres empreendedoras beneficiadas em Roraima pelo Programa Conjunto LEAP

Agência Onu Mulheres Brasil - 14/01/2022 - 09:21:59

“Temos capacidade para fazer, somos empreendedoras e muito valentes”, afirma venezuelana beneficiada por programa conjunto em Roraima

Aos 33 anos e mãe de três crianças, Yidri completa quatro anos vivendo no Brasil com planos de expandir produção de sabonetes artesanais e aumentar a renda familiar

Quando a crise venezuelana começou a tomar proporções maiores, o Brasil não se mostrava como uma opção para Yidri. Há quatro anos, ela chegou ao país influenciada por uma amiga, que também atravessou a fronteira em busca de condições dignas de sobrevivência. Hoje com 33 anos, ela tem orgulho de se apresentar como uma empreendedora e faz planos para que seus três filhos cresçam e permaneçam em Roraima.

“Eu nem pensava em chegar até aqui, porque eu não entendia o idioma, achei que seria muito difícil. Estava grávida de sete meses e estava com um filho pequeno. Mas não tínhamos muita opção e uma amiga me convenceu a vir”, lembra. “Só consegui passar a fronteira na segunda tentativa, na primeira, tive que voltar. Cheguei por Pacaraima, onde fiquei por dois dias. Depois vim para Boa Vista e cheguei a dormir na rua com meu filho, enquanto não tinha um lugar para morar.”

Sem dinheiro e sem conhecer ninguém em Boa Vista, Yidri e o filho buscaram abrigo em uma ocupação espontânea. Foi lá que ela teve a oportunidade de começar seu pequeno negócio. “No início, a ONU Mulheres nos falou de um projeto de empreendedorismo, e então falamos que queríamos de sabonete. A professora que estava dando o curso era muito boa, nos ajudou bastante, nos ensinou bastante. As companheiras também. Aprendemos a trabalhar com glicerina, que é um material muito bom. E foi espetacular. Havia diferentes modelos de sabonetes, cheiros, essências, cores”, explica.

Além das aulas de produção artesanal, Ydri e as colegas aprenderam as diferentes frentes do empreendedorismo, desde administração e contabilidade ao marketing e propaganda. O bom desempenho no curso e a vontade de seguir trabalhando com a produção de sabonetes levaram a venezuelana a receber um incentivo financeiro, oferecido junto com as capacitações pelo programa “Liderança, empoderamento, acesso e proteção (LEAP) para mulheres e meninas migrantes, solicitantes de refúgio e refugiadas no Brasil”, implementado entre 2019 e 2021 por ONU Mulheres, ACNUR e UNFPA, com o apoio do Governo de Luxemburgo. Com o valor recebido, ela pode comprar materiais para as primeiras produções e, enfim, iniciar seu negócio.

Integração socioeconômica – A história de Ydri é apenas uma entre cerca de 7 mil mulheres venezuelanas que foram alcançadas por capacitações e iniciativas de empoderamento econômico oferecidas pelo programa conjunto LEAP entre 2019 e 2021. Percebendo a importância de garantir a integração socioeconômica de mulheres refugiadas e migrantes venezuelanas no território brasileiro, ONU Mulheres, ACNUR e UNFPA, também com o apoio do Governo de Luxemburgo, iniciaram em setembro de 2021 um novo programa conjunto – Empoderamento Econômico de Mulheres Refugiadas e Migrantes no Brasil.

Com ações previstas até dezembro de 2023, o novo programa tem entre suas metas a capacitação de 15 mil mulheres venezuelanas refugiadas e migrantes em temas de empreendedorismo, trabalho autônomo, educação financeira, com acesso a oportunidades no mercado laboral. Além de capacitações e ações ligadas a trabalho decente, proteção social e empreendedorismo, o programa também busca promover entre mulheres refugiadas e migrantes venezuelanas o conhecimento e o acesso a serviços de prevenção e resposta à violência baseada em gênero.

“O objetivo geral do programa é garantir os direitos econômicos e as oportunidades de desenvolvimento para venezuelanas refugiadas e migrantes. Nesse sentido, buscamos apoiar o desenvolvimento e a implementação de políticas e estratégias a partir de empresas e instituições públicas e privadas, para que possam garantir os direitos e promover a inclusão socioeconômica dessas mulheres no Brasil, beneficiando não apenas a elas e a suas famílias, mas à comunidade como um todo”, destaca a gerente do programa conjunto, Mariana Salvadori.

Planos para um futuro próximo – Atualmente, Ydri mantém a família e as despesas da casa com a venda dos sabonetes. Ela também conseguiu comprar um terreno em Boa Vista e logo deve começar a construir a casa própria. Por enquanto, as vendas acontecem apenas pela internet e por indicação de amigos e clientes. Mas a intenção é também ter um local fixo para venda.

“Para meu futuro, quero ter minha própria empresa, já em um local específico, em um local fixo, onde meus clientes possam ir para comprar, ter minha empresa e ficar feliz com meus filhos. Vou ficar aqui em Boa Vista, quero que meus filhos se formem aqui no Brasil”, planeja. “Essa experiência que vivi é muito bonita porque, além do aprendizado, temos também uma base para empreender, trabalhar e seguir adiante nós mesmas, impulsionadas por nós mesmas. Eu penso que nós somos mulheres, capazes de fazer as coisas, temos coragem e somos muito empreendedoras, muito valentes.”

Assista, a seguir, vídeo com um pouco mais da história de empreendedorismo de Yidri:


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