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Portugal se antecipa à UE e reabre para turistas europeus; britânicos já 'invadem' o Algarve

Portugal se antecipa à UE e reabre para turistas europeus; britânicos já 'invadem' o AlgarveFoto: Lauro Neto

O governo português se antecipou à União Europeia e estendeu a liberação da entrada de turistas da maioria dos países do bloco e do Espaço Schengen a partir de segunda-feira (17), além do Reino Unido. A previsão é de que 25 mil britânicos cheguem ao Aeroporto de Faro até o fim desta semana.

Lauro Neto - Portal Sputnik De Noticias - 19/05/2021 - 12:04:35

No último fim de semana, o Ministério da Administração Interna (MAI) anunciou que, até 30 de maio, os passageiros de voos originários do Reino Unido, dos países da UE e associados ao Espaço Schengen (Liechtenstein, Noruega, Islândia e Suíça), que apresentem uma taxa de incidência de infecção por SARS-CoV-2 inferior a 500 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, podem realizar todo tipo de viagens para Portugal, inclusive turísticas.

O prazo deve ser ampliado no fim do mês, possivelmente com a inclusão de outros países, já que o governo português anuncia medidas quinzenais de acordo com a situação epidemiológica. Já os passageiros dos voos originários de nações com uma taxa igual ou superior a 500 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias só podem entrar em Portugal em viagens essenciais (por motivos de trabalho, estudo, saúde ou reunião familiar).

Turistas de Manchester chegando ao Aeroporto de Faro no primeiro dia de reabertura das fronteiras de Portugal para turistas britânicos, Faro, Portugal, 17 de maio de 2021

© REUTERS / Pedro Nunes

Turistas de Manchester chegando ao Aeroporto de Faro no primeiro dia de reabertura das fronteiras de Portugal para turistas britânicos, Faro, Portugal, 17 de maio de 2021

O Brasil permanece nesta segunda lista, junto com África do Sul, Índia, Chipre, Croácia, Lituânia, Países Baixos e Suécia. O MAI também manteve a obrigatoriedade de isolamento profilático de 14 dias, no domicílio ou em local indicado pelas autoridades de saúde, a passageiros que cheguem desses países, apesar de uma família vinda do Brasil ter conseguido na Justiça portuguesa ser liberada da quarentena.

Todos os passageiros têm que apresentar comprovativo do teste RT-PCR, com resultado negativo, realizado nas 72 horas anteriores ao momento do embarque, exceto crianças que não completaram 24 meses. As medidas restritivas do tráfego aéreo também serão aplicadas no embarque e desembarque de passageiros e tripulações de navios de cruzeiro em portos do território continental.

Eleito o Melhor Destino de Praia do Mundo na última edição do World Travel Awards, considerado o Oscar do turismo, o Algarve, no sul de Portugal, é também o principal destino no verão deste país europeu. Em entrevista à Sputnik Brasil, João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, diz que acompanhou a chegada dos primeiros voos turísticos no Aeroporto Internacional de Faro, vindos do Reino Unido e de outros países europeus.

"Feliz do dia em que viramos a página e reativamos o nosso motor da economia regional, que é o turismo. Tudo funcionou com normal regularidade de um aeroporto que está bem preparado, sem filas de espera", comemora Fernandes.

Turistas remam em caiaques no mar de Lagos, no Algarve

© Sputnik / Lauro Neto

Turistas remam em caiaques no mar de Lagos, no Algarve

Ao chegarem, os passageiros recebem um panfleto elaborado pelo governo português com as regras de combate à COVID-19. Para recepcionar os turistas, o Turismo do Algarve também entrega um kit com um guia turístico com principais atrações da região, acompanhado de duas máscaras e um álcool em gel. Segundo o presidente da entidade regional, a ideia é transmitir duas mensagens, uma de boas-vindas e outra de prevenção.

"Esse é um bocadinho o sentimento que nos percorre. Temos todas as condições para receber, chegamos aqui porque somos um destino seguro e agora estamos abertos, sobretudo aos países europeus, que são aqueles que mais procuram o Algarve, exatamente porque soubemos preservar essa segurança", explica.

Em 5 anos, mercado brasileiro cresceu 300% no Algarve

De acordo com Fernandes, além dos 17 voos vindos do Reino Unido, chegaram outros oito internacionais no primeiro dia da reabertura, ritmo que deve se manter ao longo desta semana. Ele projeta um incremento ainda maior entre os dias 28 de maio e 6 de junho, período que engloba o half-term britânico, semana de férias escolares no país.

Ele refere que ainda não há dados concretos nem números preliminares sobre reservas, mas que a procura tem sido crescente, sobretudo depois que o governo britânico anunciou que Portugal era um dos países para os quais os cidadãos poderiam viajar sem precisar fazer quarentena no retorno ao Reino Unido.

"Já temos muitas marcações e reservas nos hotéis, e alguns deles já começam a ter a sua capacidade com níveis muito interessantes. Os números estão a aumentar a cada dia. Muitos estão a ampliar suas equipes, porque precisam de pessoas para antecipar a abertura e cuidar das reservas. Os hoteleiros estão muito animados. É natural que quem depende 75% de procura externa sinta uma nova alma quando isso acontece", assinala.

Fernandes acrescenta que entre junho e agosto, alta temporada do verão europeu, as taxas de ocupação são maiores, pois contam com os turistas portugueses, que têm dado boa contribuição ao Algarve, mas também com espanhóis, alemães, holandeses, irlandeses, franceses e estrangeiros de outros países da Europa, como Bélgica, Suíça e Suécia.

Turistas em restaurante ao ar livre na praia de Matosinhos, Portugal, 17 de maio de 2021

© REUTERS / Violeta Santos Moura

Turistas em restaurante ao ar livre na praia de Matosinhos, Portugal, 17 de maio de 2021

Entre os mercados emergentes, ele aponta o italiano, o canadense, o americano e o brasileiro. E torce para que o Brasil se recupere rápido da pandemia de COVID-19 a fim de que os turistas brasileiros possam voltar a visitar o Algarve.

"Até 2019 e, sobretudo nos anos anteriores, registramos um aumento enorme de procura por brasileiros. Em cinco anos, o mercado brasileiro cresceu 300% e passou a ser um dos nossos top 10", revela.

Ele recorda que em janeiro e fevereiro de 2020, último mês antes de a pandemia chegar a Portugal, o turismo no Algarve estava crescendo 15,3%, o que considera notável para uma região com um mercado turístico já maduro. Sobretudo por esse crescimento ter se dado em dois meses de baixa temporada, no inverno europeu.

Em um ano de pandemia, Portugal perdeu 71% de hóspedes

No entanto, a partir de março do ano passado, quando foi decretado o primeiro estado de emergência, até fevereiro de 2021, os estabelecimentos portugueses de alojamento turístico receberam apenas oito milhões de hóspedes, uma queda de 71% em relação aos 24,8 milhões hospedados no período homólogo anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Em 12 meses acumulados, o número de dormidas despencou de 70,8 milhões, entre março de 2019 e fevereiro de 2020, para cerca de 20 milhões no primeiro ano da pandemia, queda de 72%. Se forem levados em conta apenas os turistas estrangeiros, a redução foi ainda maior, de 84%. Entre os portugueses, que respondiam por um terço das atividades turísticas antes da pandemia, a queda foi de 44%.

Os dados mais recentes do INE, referentes a março deste ano, mostram que 58,5% dos alojamentos turísticos estavam fechados ou não registraram hóspedes. No mês em causa, todas as regiões portuguesas apresentaram decréscimo no número de dormidas. A maior redução, de 83,3%, foi observada no Algarve, chegando a 92% se levadas em conta apenas as dormidas de não residentes.

Questionado pela Sputnik Brasil sobre os dados, o presidente do Turismo do Algarve relativiza, dizendo que os meses analisados são de baixa temporada e que o período de maior procura é a época balnear, entre junho e setembro, devido ao clima e às praias da região. Fernandes é otimista e acredita que o verão europeu deste ano será melhor do que o de 2020.

"Estamos abrindo aos outros países europeus muito antes do que aconteceu no ano passado e de forma mais segura. Se em 2020 tivemos procura sobretudo de turistas nacionais e poucos turistas de fora, este ano temos procura nacional e internacional, o que faz antever um verão melhor do que o passado", compara.

Pessoas descendo para praia da Falésia no primeiro dia de reabertura de fronteiras de Portugal para turistas do Reino Unido, Albufeira, Portugal, 17 de maio de 2021

© REUTERS / Pedro Nunes

Pessoas descendo para praia da Falésia no primeiro dia de reabertura de fronteiras de Portugal para turistas do Reino Unido, Albufeira, Portugal, 17 de maio de 2021

Na opinião dele, entre outros fatores que contribuem para essa projeção positiva está o avanço da vacinação. No último sábado (15), Portugal registrou novo recorde de vacinados, com 129 mil doses aplicadas. Agora, 13,85% da população estão completamente imunizados, e 31,86% já receberam ao menos a primeira dose. Ao todo, já foram inoculadas 4.661.130 de doses.

Por fim, Fernandes acredita que as viagens serão facilitadas com a criação do Certificado COVID-19 UE, um documento que será concedido a pessoas que já foram vacinadas, que comprovem estar recuperadas da doença ou mesmo apresentem teste PCR negativo. O certificado já recebeu sinal verde do Parlamento Europeu, e a pretensão da UE é de que entre em vigor já em junho.

"Uma das questões que, no ano passado, foi difícil de ultrapassar é a falta de um instrumento comum para circular no espaço europeu. Cada país tinha as suas regras, o que tornava muito difícil a articulação das várias regras para viajar. A criação desse certificado para o espaço europeu e até o seu reconhecimento para outras áreas geográficas vai facilitar muito o processo de viagem", conclui.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação

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