×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 29 de novembro de 2021

Humans Right Watch e Anistia Internacional cobram resposta sobre chacina no Rio

Humans Right Watch e Anistia Internacional cobram resposta sobre chacina no RioFoto: Reprodução - Portal Brasil De Fato

Corpos recolhidos por moradores após operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo

Redação Dw - Portal Brasil De Fato - 23/11/2021 - 18:29:37

Organizações internacionais citam "indícios e denúncias de que as vítimas possam ter sido executadas extrajudicialmente"

Redação DW

Entidades civis cobraram explicações do governo e do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre os pelo menos oito corpos localizados em um manguezal no bairro das Palmeiras, no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), nesta segunda-feira (22).

Moradores da região e entidades suspeitam que ocorreu uma chacina durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar no final de semana, supostamente como vingança após um sargento ter sido morto enquanto patrulhava a área na manhã de sábado. Houve confronto e troca de tiros durante a operação.

::Moradores do Complexo do Salgueiro recolhem nove corpos após operação da PM no RJ::

A Comissão de Direitos Humanos da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil afirma que moradores relatam terem encontrado onze corpos. O portal G1 contabiliza nove corpos retirados do manguezal, dos quais oito já foram identificados. Moradores disseram a jornalistas que alguns deles apresentavam sinais de tortura.

A Polícia Militar comunicou a Polícia Civil sobre a operação somente na segunda-feira, no dia seguinte após ela ter terminado. Os corpos foram removidos do manguezal por moradores, o que modificou a cena do crime e pode dificultar a investigação.

Humans Right Watch: STF proibiu operações em favelas

A Human Rights Watch divulgou nota na qual destaca que muitas operações policiais que resultam em grande número de mortes no Rio de Janeiro ocorrem logo após o assassinato de membros da corporação, e que a ação ocorrida neste final de semana está "mal explicada e cheia de pontos de interrogação".

A entidade questiona o motivo de a Polícia Civil ter chegado ao local apenas 15 horas após os tiroteios, e lembrou que uma decisão liminar do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, em vigor desde junho de 2020, determinou que as operações policiais no Rio de Janeiro só podem ser realizadas em caso de excepcionalidade. Na prática, porém, a polícia do Rio vem ignorando a determinação. Essa ação judicial, conhecida como ADPF das Favelas, começou a ser julgada pelo plenário do Supremo em 21 de maio, e sua análise pode ser retomada nesta semana.

O Ministério Público afirmou que recebeu uma comunicação da Polícia Militar sobre o início da operação no complexo do Salgueiro, e que instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar o caso.

A Human Rights Watch insiste que a investigação sobre o caso deva ser conduzida pelo Ministério Público, em vez de pela Polícia Civil, e que a responsabilização sobre eventuais abusos é essencial "para coibir a violência policial, que tem consequências desastrosas para as comunidades do Rio, a segurança pública e a própria polícia".

::Mortes no Salgueiro: Alto Comissariado da ONU cobra investigação independente sobre operação::

Anistia Internacional: indícios de execução extrajudicial

O escritório da Anistia Internacional no Brasil afirmou em nota que acionou o governo do estado do Rio de Janeiro, a secretaria de estado de Polícia Militar e o Ministério Público do Rio de Janeiro solicitando informações detalhadas sobre a operação, e que é "imperativo que a sociedade e os familiares das vítimas saibam a motivação legal da ação".

"O Ministério Público, que tem a atribuição constitucional de exercer o controle externo da atividade policial, deve investigar com rigor, urgência e imparcialidade as circunstâncias que levaram às mortes das oito pessoas cujos corpos foram encontrados", afirma a entidade.

A Anistia Internacional cita ainda "indícios e denúncias de que as vítimas possam ter sido executadas extrajudicialmente" e que o complexo do Salgueiro "é alvo sistemático de violência policial e graves violações de direitos humanos", assim como outras comunidades periféricas no Rio de Janeiro. A entidade menciona que a chacina do Jacarezinho, que resultou na morte de 28 pessoas, ocorreu há seis meses e ainda não há responsáveis punidos.

"Operações policiais que terminam em mortes cujas circunstâncias indicam uso excessivo e desproporcional da força e conduta ilegal dos agentes de segurança pública são inaceitáveis e precisam ser esclarecidas à população e aos familiares das vítimas", afirma a organização.

Leia também: No Salgueiro, tem mães enterrando seus filhos, mortos como animais e jogados no mangue

Federação das Associações de Favelas: Moradores temiam retaliação

A Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj) divulgou nota na qual relatou que, desde a morte do sargento da Polícia Militar na manhã de sábado, os moradores do complexo do Salgueiro "ficaram apreensivos, com medo de uma operação policial de retaliação, que apesar de ilegal, configura a forma de agir cotidiana das polícias no estado".

A entidade participou de diligências na região da operação na segunda-feira, conduzida pela Defensoria Pública do Estado e por comissões da Assembleia Legislativa do Rio e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, e identificou "casas e comércios invadidos pela polícia".

Segundo a federação, moradores relataram que alguns dos corpos tinham sinais de tortura e facadas.

A entidade também colheu relatos de que policiais invadiram uma casa de festas da comunidade no final de semana, onde realizaram um churrasco e tomaram bebidas alcoólicas que lá estavam, e deixaram na saída mensagens de "agradecimento" e desejando feliz Natal, "num misto de ilegalidade, ironia e sadismo". Uma repórter do portal UOL foi ao local e confirmou as mensagens deixadas na casa.

Comentários para "Humans Right Watch e Anistia Internacional cobram resposta sobre chacina no Rio":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Trabalhadores do setor aéreo cancelam greve programada para dia 29

Trabalhadores do setor aéreo cancelam greve programada para dia 29

TST mediou acordo no setor e funcionários aceitaram proposta

Transgêneros e não binários são 2% dos brasileiros, revela estudo

Transgêneros e não binários são 2% dos brasileiros, revela estudo

Pesquisadores ouviram 6 mil pessoas em 129 cidades de todo o país

Mais verbas para ciência, pedem ICTP e entidades de C,T&I

Mais verbas para ciência, pedem ICTP e entidades de C,T&I

Às 11h estavam em frente ao prédio do Ministério da Economia servidores, pesquisadores, professores e pós-graduandos.

Empresa chinesa BYD desenvolve projeto sustentável e cultural no Brasil

Empresa chinesa BYD desenvolve projeto sustentável e cultural no Brasil

O Rio é a primeira cidade no Brasil a ter um ônibus elétrico em plena atividade cultural.

Futuro sem telefones fixos: em um ano, mais de 1,3 milhões de linhas telefônicas são desativadas no Brasil

Futuro sem telefones fixos: em um ano, mais de 1,3 milhões de linhas telefônicas são desativadas no Brasil

Os indicadores acabam de ser compilados pela plataforma Melhor Plano, especialista no ramo de telecom e parte do grupo Méliuz

México cancela acordo de isenção de vistos com o Brasil para barrar imigração ilegal aos EUA

México cancela acordo de isenção de vistos com o Brasil para barrar imigração ilegal aos EUA

Segundo o governo mexicano, há trabalho em coordenação com autoridades brasileiras para promover a migração regular, e o tema será reavaliado em no máximo seis meses.

Fronteiras do Brasil seguem abertas, apesar do avanço de nova variante do coronavírus

Fronteiras do Brasil seguem abertas, apesar do avanço de nova variante do coronavírus

Ministro da Casa Civil chegou a anunciar fechamento, mas decisão não foi aplicada no Diário Oficial da União

Ministério Público de MG recorre de decisão que transfere julgamento de Brumadinho

Ministério Público de MG recorre de decisão que transfere julgamento de Brumadinho

A defesa dos acusados alegou que, na denúncia apresentada pela Promotoria, há elementos que indicam interesse jurídico da União na ação. É o caso de possíveis danos a sítios arqueológicos, que são bens da União.

Vale a pena criar novo Fundo Amazônia? Especialista responde

Vale a pena criar novo Fundo Amazônia? Especialista responde

Criado em 2008, Fundo Amazônia financiado majoritariamente por Alemanha e Noruega não recebe repasses desde 2019. Em entrevista com Sputnik Brasil, especialista analisou o que governo poderia fazer com a estrutura.

Pesquisa mostra brasileiros mais preocupados com pobreza e pandemia

Pesquisa mostra brasileiros mais preocupados com pobreza e pandemia

Poluição e escassez de água potável também preocupam

Segundo dia de aplicação do Enem é amanhã

Segundo dia de aplicação do Enem é amanhã

É recomendado que se leve o Cartão de Confirmação da Inscrição