Bancos Centrais dos países de língua portuguesa criam rede de cooperação, Brasil assume primeira presidência
Bancos Centrais dos países de língua portuguesa criam rede de cooperação, Brasil assume primeira presidência

Rio De Janeiro, 17 Abr Agência Xinhua Brasil - 20/04/2026 16:43:09 | Foto: Agência Xinhua Brasil

Os chefes dos bancos centrais dos países de língua portuguesa concordaram em criar uma Rede de Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (RBCPLP), um novo órgão de cooperação financeira e técnica entre as nações que compõem a comunidade lusófona, anunciou o Banco Central do Brasil nesta sexta-feira.

Segundo o BC brasileiro, a decisão foi tomada durante uma reunião das autoridades monetárias dos países participantes, com o objetivo de fortalecer o intercâmbio institucional, promover a estabilidade financeira e ampliar a cooperação em questões estratégicas para o sistema monetário e bancário.

A primeira reunião oficial da nova rede acontecerá em novembro de 2026 em Luanda, capital de Angola. Nessa ocasião, o Brasil também assumirá a primeira presidência rotativa da organização.

A iniciativa reúne autoridades monetárias de países de língua portuguesa com crescentes laços econômicos e comerciais, incluindo Brasil, Angola, Moçambique, Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Segundo o Banco Central do Brasil, a criação da rede visa facilitar o diálogo técnico entre as instituições, a troca de experiências regulatórias e a coordenação de ações relacionadas à inovação financeira, supervisão bancária, sistemas de pagamento, inclusão financeira e transformação digital.

Para o Brasil, a presidência inicial representa uma oportunidade de ampliar seu papel na cooperação Sul-Sul e seu engajamento com economias emergentes na África e na Ásia, bem como fortalecer seu relacionamento com Portugal no âmbito financeiro lusófono.

Nos últimos anos, o Banco Central do Brasil tem promovido iniciativas reconhecidas internacionalmente, como o sistema de pagamentos instantâneos Pix, o fomento do open finance e projetos relacionados a moedas digitais e modernização regulatória - experiências que podem servir de referência para outros membros da rede.

Analistas acreditam que a nova plataforma também pode contribuir para o aprimoramento da capacitação técnica, da harmonização de normas regulatórias e da facilitação dos fluxos de investimento entre os países participantes, especialmente em áreas como infraestrutura, serviços bancários digitais, comércio exterior e financiamento para o desenvolvimento.

A criação da rede ocorre em meio a uma crescente busca por mecanismos de integração entre economias emergentes e ao fortalecimento da cooperação entre os países do Sul Global, agenda na qual o Brasil tem buscado um papel mais proeminente nos últimos anos.

Com a reunião inaugural realizada em Luanda e o início da presidência brasileira, espera-se que grupos de trabalho temáticos, um calendário permanente de reuniões e prioridades conjuntas para 2027 sejam definidos durante o segundo semestre do ano.