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Mulheres com doença inflamatória intestinal devem redobrar cuidados para engravidar, alerta especialista

Mulheres com doença inflamatória intestinal devem redobrar cuidados para engravidar, alerta especialistaFoto: Foto Lucas Mendes

Não há problema com fertilidade, entretanto, especialista alerta para completa remissão da doença

Re9 Comunicação - 04/06/2021 - 13:35:47

Cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo têm Doença Inflamatória Intestinal (DII), de acordo com o Ministério da Saúde. Neste grupo estão mulheres em idade fértil que desejam ser mães. Ao se preparar para a concepção, estas mulheres devem ter alguns cuidados com relação a doença para que o período gestacional ocorra bem para a mãe e o bebê. Uma das coisas a se ter em mente é a completa remissão (momento em que a doença não manifesta sintomas).

Segundo a gastroenterologista do Hospital Brasília e do Núcleo Especializado de Doenças Intestinais Complexas (NEDIC) Renata Filardi, geralmente a fertilidade da mulher que possui DII não é diferente das outras mulheres. “Em situações específicas pode haver uma diminuição da fertilidade da mulher que tem DII. Aquelas que tiveram que retirar todo o intestino grosso e usam bolsa ileal podem ter fibrose nas trompas uterinas, o que dificulta a implantação do óvulo”, explica.

A médica aponta outros fatores que podem interferir na fertilidade da mulher com DII como a própria atividade da doença e fatores psicológicos (transtornos de humor ou ansiedade) que levam ao medo ou a falta de vontade de engravidar. Assim, é preciso que a mulher com a condição busque primeiro a remissão para engravidar.

De acordo com Renata Filardi, a remissão da doença é o momento em que a mulher está sem atividade inflamatória durante a gestação, ou seja, sem queixas clínicas, além da atividade de inflamação no sangue e nas fezes estar com valores controlados, assim como exames de colonoscopia ou exames de imagem também sem sinais de inflamação ativa. “Isso vai além de apenas uma melhora clínica, que é somente a diminuição de sinais e sintomas. Uma vez que a paciente esteja com doença em remissão por um período de 3 a 6 meses considera-se segura sua gravidez, com alta possibilidade de boa evolução e de bons resultados para o bebê até o parto”, acrescenta a médica.

A atividade inflamatória da DII durante a gestação apresenta alguns riscos tanto para a mãe como para o bebê. Para a grávida, há o risco de trombose e um aumento do risco da necessidade de cesariana. Para o neném, se a gestante estiver com a DII em atividade, há um aumento de duas a três vezes na chance da criança vir a nascer com baixo peso, em parto prematuro ou ainda de ocorrer um aborto espontâneo. Mas vale lembrar: quando a doença é tratada e controlada, a gestação pode acontecer de forma tranquila e saudável para ambos, com riscos de complicações reduzidos e semelhantes aos de outras grávidas que não apresentam DII.

A especialista faz outro alerta importante: “Não acredite na frase, que é um mito e nos atrapalha muito na condução de mulheres com DII que querem engravidar: ‘engravide porque aí sua doença inflamatória vai ficar mais branda’, isso não é verdade”. Ao contrário, informa a médica, cerca de 70% das mulheres que engravidam com a DII em atividade podem experimentar uma piora no quadro.

Assim, a gastroenterologista aconselha que o tratamento seja seguido a risca, com o acompanhamento de exames regulares. Assim, a mulher com DII conseguirá ter uma gravidez tranquila e realizar o sonho da maternidade.

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