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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 03 de julho de 2022

Elas batalham pela inclusão de mais mulheres na astronomia

Elas batalham pela inclusão de mais mulheres na astronomiaFoto: Divulgação/Astrominas

A proposta inicial de acompanhar as garotas de forma próxima se manteve. “Fazemos o acompanhamento individual de cada menina, auxiliando nas atividades e interagindo”

Estadão Conteúdo - 19/06/2022 - 10:27:00

Quebrar as barreiras em uma área do conhecimento dominada por homens, as Exatas, é o objetivo do Astrominas, coletivo formado em 2019 para empoderar garotas por meio da ciência. Idealizado por mulheres do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e de outros institutos da área, o projeto oferece cursos gratuitos online para aproximar adolescentes entre 14 e 17 anos desse universo.

“As meninas são nosso foco. Queremos tentar trazê-las para essa área”, explica Loreany Ferreira de Araújo, mestre em ciências pela USP e doutoranda em astronomia no IAG. “O projeto vem como forma de ensinar que elas podem, sim, entrar em alguma área de Exatas sem se sentirem desconfortáveis por causa de preconceito.”

A terceira edição do curso, que ocorre entre 2 e 22 de julho, teve número recorde de inscrições. Foram 16.934 meninas interessadas nas 400 vagas disponíveis. Cada participante precisa dedicar até quatro horas diárias para as atividades que são oferecidas, de acordo com sua disponibilidade de horário. O projeto conta com a contribuição, também, de 60 cientistas renomadas que trabalham no Brasil e exterior.

“Inicialmente, a gente imaginava pegar cem meninas e depois acompanhar 10 delas no dia a dia, usando os simuladores. Mas quando íamos lançar o programa, em 2020, veio a pandemia de covid-19”, lembra Lilian Sagan, que faz mestrado em Astronomia. “Então, tivemos de pensar de uma outra forma e decidimos fazer uma atividade online.” O coletivo viu as inscrições no programa saltarem de 9.146 em 2020 para 13.738 no ano seguinte. E agora bater o recorde para 2022.

A proposta inicial de acompanhar as garotas de forma próxima se manteve. “Fazemos o acompanhamento individual de cada menina, auxiliando nas atividades e interagindo”, explica Lilian.


Para conseguir dar conta desse trabalho personalizado, o grupo conta com o reforço de 150 fadas madrinhas, monitoras que atuam na área e ajudam no cotidiano do curso. “Essa grande procura nos mostra que as mulheres se interessam por Exatas”, diz Lilian, reforçando que o coletivo conta ainda com 26 organizadoras.


Ana Clara de Paula, de 20 anos, é aluna de graduação em Física na USP e desde 2020 faz iniciação científica nas áreas de ensino e divulgação. Ela cresceu em Diamantina, no interior de Minas Gerais, e diz que sofreu um impacto negativo quando se deparou com a realidade da área de Exatas. “Nunca tinha visto ou conversado com um cientista. Só tinha contato em livros e séries. Cheguei na USP cheia de esperança, mas quando entrei na sala de aula 90% dos alunos eram homens e brancos. ‘Cadê as pessoas como eu’, pensei”, conta Ana Clara. “Isso me chocou um pouco e decidi ajudar a trazer pessoas como eu, mulheres pretas, para fazer ciência. Não quero que as próximas gerações de cientistas sofram com isso.”

Aluna de graduação em Astronomia, Vitória Bellecerie da Fonseca, de 21 anos, se lembra da boa receptividade assim que o Astrominas foi apresentado. “As pessoas ficaram surpresas e logo falaram que era um projeto bem legal”, relembra.


O coletivo agora quer ampliar o número de vagas no curso, mas sem perder o propósito de garantir o acolhimento individual para as meninas. “Queremos que tenham uma sensação de pertencimento ao ambiente acadêmico de uma universidade pública que forma cientistas”, explica Lilian.



As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




fonte: Estadão Conteudo


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