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Ao ameaçar ‘dar porrada’ no senador Randolfe, o presidente se mostrou despreparado e desequilibrado

Ao ameaçar ‘dar porrada’ no senador Randolfe, o presidente se mostrou despreparado e desequilibradoFoto: Tribuna da Internet

Disposição de Bolsonaro é incompatível com o cargo que ocupa

Pedro Do Coutto - Tribuna Da Internet - 14/04/2021 - 11:57:33

O presidente Jair Bolsonaro revelou encontrar-se completamente descontrolado, pois tornou público, na gravação divulgada pelo senador Jorge Kajuru, estar disposto a uma luta física com o senador Randolfe Rodrigues, autor do requerimento de criação da CPI da Covid-19 para investigar a atuação do Ministério da Saúde no combate à pandemia.

O presidente da República em sã consciência não poderia desafiar ninguém para uma briga de rua, sobretudo porque tal disposição é incompatível com o cargo que ele ocupa. Bolsonaro revelou também estar fora da razão lógica quando investe contra o Supremo e pediu a Kajuru que consiga abrir um processo de impeachment contra o ministro Luís Roberto Barroso.

PLACAR – O ataque de Bolsonaro a Barroso só pode levar o Supremo a acompanhar integralmente a liminar que determinou a instalação da CPI no Senado. Dos 11 ministros, a meu ver, o placar da votação marcada para hoje deverá ser de 10 votos a um em favor do despacho de Barroso.

Isso porque, provavelmente, o ministro Nunes Marques votará em contrário, em face de seu relacionamento com o Planalto. Entretanto, se votar assim, Nunes Marques terá criado para si um ambiente difícil na Corte Suprema do país. Mas essa é outra questão.

CANDIDATURA – Pessoalmente, tenho dúvida se Bolsonaro será até candidato, pois dificilmente, no grau de exacerbação em que se encontra e em consequência dos erros que comete em série, ele poderá completar o seu mandato. Nenhuma atmosfera de tensão permanente deve se prolongar ao longo de 20 meses. Uma ruptura ocorrerá muito antes deste prazo se esgotar.

A confusão que se criou em torno do Orçamento e das emendas dos senadores e deputados está ganhando cada vez mais corpo, dificultando uma solução sobre o problema.

GUEDES ESTÁ PERDIDO – O ministro Paulo Guedes, parece perdido no meio da onda. Preocupado com a questão do teto das verbas, está tentando conseguir, sem sucesso, uma saída para um problema insolúvel. Os deputados e senadores não abrirão mão de suas emendas, está claro. O teto da Lei de Orçamento é apenas uma visão teórica das finanças do país.

Não adianta utilizar cálculos matemáticos para recursos financeiros que não existem. Com teto ou sem teto, o fato é que a balburdia se generalizou no Planalto. O próprio Guedes encontra-se às tontas em seu conflito com os presidentes do Senador e da Câmara, Rodrigo Pacheco e Arthur Lira.

RENDA PER CAPITA – Enquanto isso, reportagem de Eduardo Cucolo, Folha de São Paulo, revela que o Brasil caiu sensivelmente em matéria de renda per capita no mundo. No momento, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, o nosso país encontra-se na posição 85 de um total de 130 nações.

A renda per capita é o resultado da divisão do PIB (R$ 6,6 trilhões) pelo número de habitantes, cerca de 210 milhões de brasileiros e brasileiras. A renda per capita do Brasil só pode cair, pois a população não para de crescer na base de 1% ao ano, enquanto o PIB, de acordo com o mesmo FMI, recuou 3% no ano passado.

A renda per capita não representa a questão da distribuição de renda. Esta segunda face é a mais complicada do problema em função do congelamento dos salários e da subida dos preços. Não há nenhuma hipótese de que com os salários congelados, a distribuição de renda avance. E sem salários também, o consumo não pode crescer.

PETROBRAS – Matéria de Bruno Rosa, O Globo de terça-feira, assinala que na reunião de acionistas da Petrobras realizada na última segunda-feira, o indicado de Bolsonaro à Presidência, general Silva e Luna, teve 42% dos votos contrários e 58% dos votos favoráveis. A informação é também de Lauro Jardim em sua coluna no O Globo. Vejam só: a União, principal acionista da Petrobras, claro votou em Silva Luna que substituiu Roberto Castello Branco, no que foi acompanhada pelo BNDES.

O maior acionista privado da estatal, o banqueiro Juca Abdalla não participou do processo de votação, enquanto os representantes do Fundo de Pensão e Aposentadoria Complementar do Banco do Brasil e da Caixa Econômica e da Previ se abstiveram.

O resultado não deixa de ser uma derrota para o governo, uma vez que nunca houve uma abstenção e uma rejeição no que se refere à eleição do presidente da estatal nesse nível de 42%. Também, digo, nunca houve um presidente da República como Jair Bolsonaro.

DERROTA NO SENADO – O senador Rodrigo Pacheco revelou no fim da tarde de ontem sua decisão quanto à CPI requerida pelo senador Randolfe Rodrigues para investigar a atuação do Ministério da Saúde no enfrentamento à pandemia.

Cumpriu exatamente o despacho do ministro Barroso, do STF, e apenas acrescentou que a CPI também poderá apurar eventuais irregularidades em estados e municípios, conforme proposta do senador Eduardo Girão, desde que “limitado às fiscalizações de recursos da União repassados aos demais entes federados para combate da pandemia”.

Assim, Rodrigo Pacheco rejeitou a possibilidade de a CPI ouvir governadores e prefeitos, como desejava o presidente Jair Bolsonaro. O desfecho deverá ser mantido na tarde de hoje pelo Pleno do STF. Bolsonaro está acumulando derrotas em série e perdendo a própria capacidade política de seu governo.

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