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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 20 de junho de 2018


Praça D. Pedro V – Rossio

Praça D. Pedro V – Rossio

A Praça de D. Pedro IV, mais conhecida por Rossio, localiza-se na zona baixa de Lisboa

Por Mundo Português / Foto: Reprodução - 14/05/2018 - 16:34:16

Na época dos romanos havia por ali um hipodromo e desde a Idade Média começou a ser rodeada de edifícios.

 

No século XV, a este, estabeleceu-se o Hospital Real de Todos os Santos, construído nos reinados de D. João II e de D. Manuel I, que assentava sobre 25 arcos ogivais de pedraria, tendo a meio o templo, de esplêndida arquitetura manuelina, em cuja fachada se abria um pórtico em gótico floreado com os emblemas dos fundadores. Sob a arcaria ficava a ermida da Senhora do Amparo, na altura em que se acha hoje a rua com esse nome, para o lado da Betesga a roda dos enjeitados.

 

Ao norte do Hospital, levanta-se o Convento de São Domingos de Lisboa, fundado em 1242 pelo rei D. Sancho II, acrescentado depois por D. Afonso III e novamente aumentado por D. Manuel I. O terramoto de 1531 arruinou-o muito, o que obrigou a nova reedificação em 1536. Era notável a sua riqueza em alfaias preciosas, havendo uma imagem de prata maciça, que saía em procissão num andor do mesmo metal, alumiada por lâmpadas também de prata. As pinturas dos altares, os paramentos, os tesouros, tudo desapareceu durante o terramoto de 1755, salvando-se unicamente a capela-mor, mandada fazer por D. João V e desenhada pelo arquiteto João Frederico Ludovice.

 

A velha Igreja de São Domingos ficava junto à ermida de Nossa Senhora da Escada, também conhecida por Nossa Senhora da Corredoura, por ficar próximo do sítio deste nome, atualmente a Rua das Portas de Santo Antão, e cuja construção datava dos princípios da monarquia. Em antigos tempos, quando os reis viviam no Palácio dos Estaus, servia de capela real. O terramoto causou-lhe grande destroço, sendo arrasada em 1834 para edificação do prédio na esquina do Rossio para o Largo de São Domingos.

 

No topo norte da praça, onde é hoje o Largo D. João da Câmara, ficava o Palácio dos Estaus com as suas torres de três andares, edificada em 1449 pelo infante D. Pedro, o regente, para hospedar as pessoas da corte sem residência própria e os monarcas e embaixadores estrangeiros. Neste paço habitou D. João III desde 1540, recebendo ali nesse ano São Francisco Xavier, e aí se realizaram muitas festas de corte. Foi aí que morreu D. Duarte, filho de D. João III, e que D. Sebastião recebeu das mãos do cardeal D. Henrique o governo do reino.

 

Em 1571, nele se instalou o Tribunal e a Sede da Inquisição, sendo então oficialmente designado por Casa de Despacho da Santa Inquisição. Pelo terramoto de 1755 ficou muito arruinado, sendo reedificado sob a direção de Carlos Mardel e pelo arquiteto Manuel Caetano de Sousa (1738-1802).

 

Para o lado de Santo Antão ficavam outros dois palácios e para o lado oposto o Palácio dos Faros, que veio a pertencer aos Duques do Cadaval, e ocupava pouco mais ou menos o sítio onde se eleva hoje a Estação do Rossio. O centro da praça era de terra batida, ficando a oeste, quase em frente a S. Domingos, o famoso chafariz do Rossio, fonte monumental adornada por um Neptuno de pedra, construído no fim do século XVI e derrubado em 1786.

 

Após o Terramoto de 1755

 

Após o terramoto de 1755, a praça foi reconstruída segundo o plano de Carlos Mardel pois poucos edifícios lhe resistiram, renascendo uma praça retangular de 166 m comprimento x 52 m largura.

 

No lugar do Palácio dos Estaus, em 1807, passou a instalar-se o Paço da Regência e, em 1826 a Câmara dos Pares, sendo também ali instalada a Academia Real de Fortificação, a Secretaria da Intendência da Polícia, a Escola do Exército e o Tesouro Público. Em 1836, funcionando nele o Tesouro Público, ardeu completamente. No seu lugar, foi construído o Teatro Nacional D. Maria II, inaugurado em 1846.

 

A praça assistiu a touradas, festivais, feiras, revistas e paradas militares, festas cortesãs, revoluções populares e também a autos-de-fé durante a Inquisição ou execuções capitais.

 

Foi no Rossio que se deram os tumultos populares depois da morte de D. Fernando e que foi abandonado o cadáver do bispo D. Martinho, precipitado das torres da Sé de Lisboa. Aí foi queimado vivo Garcia Valdez, autor de uma conspiração contra o Mestre de Avis, e aí foram decapitados em 26 de agosto de 1641, o Duque de Caminha, o Marquês de Vila Real e o Conde de Armamar, réus do mesmo crime em relação a D. João IV. Finalmente, nas lutas liberais e miguelistas, foi aqui o teatro do sufocado pronunciamento constitucional de infantaria 4, em 22 de agosto de 1831, em que morreram para cima de 300 homens.

 

Entre 1846 e 1849 é construído o Teatro D. Maria II, a praça é arborizada e são colocadas as fontes. Em 1848, por iniciativa do General Eusébio Pinheiro Furtado, o pavimento é calcetado com mosaico português em basalto e calcário, em padrões ondulantes. Foi um dos primeiros desenhos desse tipo a decorar os pavimentos da cidade.

 

Onde são hoje os números 22-25 e 27-29, ficavam no princípio do século XIX os celebérrimos botequins do Nicola e das Parras, onde se reuniam os literados do tempo, Manuel Maria Barbosa du Bocage, Nuno Álvares Pato Moniz, Francisco Joaquim Bingre, João Vicente Pimentel Maldonado, entre muitos outros… Ali improvisou Manuel Maria Barbosa du Bocage muitos dos seus sonetos e das suas mais famosas sátiras.

 

Hoje assiste a ocasionais comícios políticos, e os seus sóbrios edifícios pombalinos, já muito alterados, estão ocupados por lojas de recordações, joalharias e cafés.

 

 

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