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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 21 de fevereiro de 2018

Por Miguel Lucena. A cultura da compra de votos

Por Miguel Lucena. A cultura da compra de votos

Quem tem sensibilidade sofre também com o drama das pessoas que realmente precisam.

Por Miguel Lucena* - 01/11/2017 - 19:49:20

Depois de me ouvir falar sobre a necessidade de se fazer política de um jeito sério, sem compra de votos e com definição de propostas claras e objetivas pelos candidatos, um experiente coordenador de campanha me chamou em um canto e disse-me que, se eu quisesse me eleger deputado federal, teria de gastar R$ 5 milhões na campanha.

Disse isso com a maior naturalidade. Antes, durante a exposição que fiz para um grupo de pessoas na cidade do Gama/DF, ele havia ressaltado que os eleitores vão escolher candidatos com propostas e sem manchas.

Fiquei com receio de que o cinismo impere mais uma vez na jornada política que se aproxima, como está imperando nas relações estabelecidas na sociedade. Fala-se algo na presença de terceiros, só para constar ou enganar, mas se repetem os mesmos erros de sempre às escondidas.

Parte do eleitorado, por sua vez, induz o candidato a fazer coisas erradas, ao pressioná-lo para conseguir favores os mais variados, do botijão de gás que secou a uma dentadura para enfeitar o sorriso banguela.

Nesse tipo de relação estabelecida, somente ricos e ladrões poderão se candidatar. De onde uma pessoa assalariada, mesmo pertencendo à elite do funcionalismo, vai tirar dinheiro para sustentar milhares de pessoas com favores que vão de cesta básica a óculos de grau? Alguns se acostumaram a pedir até pingo de colírio no olho.

Quem tem sensibilidade sofre também com o drama das pessoas que realmente precisam. Já cheguei a residências em que os moradores não tinham nem água para beber.

Muitos políticos profissionais estão na moita, esperando a hora de despejar rios de dinheiro para capturar os votos dos desesperados. A ser mantida a cultura do fisiologismo, as chances dessas raposas terem sucesso novamente são grandes.

Sobre a observação que o experiente cabo eleitoral fez reservadamente, respondi que quem gasta uma fortuna dessas em uma campanha de deputado é doido, ladrão ou está viçando.

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor

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