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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 26 de maio de 2018

O Amplexo dos Afogados: A perigosa face da crise por que passa o Brasil

O Amplexo dos Afogados: A perigosa face da crise por que passa o Brasil

O Brasil passa pela mais grave crise da sua história desde 1964

Por Salin Siddartha - 11/12/2016 - 09:47:43

O Brasil passa pela mais grave crise da sua história desde 1964. É notável o conflito que sai dos centros econômicos do Poder, ganha a grande imprensa, as redes sociais, as instituições republicanas e vai para as ruas, nessa ordem. As divisões no seio das elites e classes dominantes vêm acentuando-se, com decorrentes reconfigurações de blocos – e as denúncias de corrupção e escândalos diversos vêm à tona a partir daí. (E não ao contrário do que se possa crer: não são os escândalos e denúncias de corrupção que geram os conflitos atuais, mas eles são a expressão dos conflitos na forma judicializada de pústulas imorais e ilegais.)

Nesse sentido, a Lava-Jato e diversas outras operações da Polícia Federal e do Ministério Público contra a corrupção são o sintoma de uma crise geral no Brasil. Refletem a impotência da plutocracia do nosso país para dar conta dos seus conflitos internos da forma como tradicionalmente sempre lidou com eles, seja no campo eleitoral, seja no campo da elaboração das leis, seja no campo da arbitragem no interior de seus aparelhos reguladores. Então, as contradições de dentro do próprio sistema de dominação nacional extrapolaram para a judicialização das coisas públicas, para o âmbito criminal, levando de roldão o que jamais se tinha observado, a “creme de la creme” dos políticos e dos empresários da construção civil brasileira.

E, nesse quadro, o PT e seu bloco histórico entraram bem; em certa parcela por dolo, em certa parcela por culpa e, em certa parcela, de gaiatos. Foi a burocratização do Partido dos Trabalhadores que o fez adentrar-se pelos caminhos enviesados dos projetos espúrios, deixando-se seduzir e corromper pelo regime, afastando-se das bases e do diálogo de sua direção com elas. Fez opção por uma ampla política de alianças com as classes dominantes, que teve como consequência garantir a continuidade do regime que antes combatia. Sem que a direção do partido percebesse que, apesar de burocrática, ela própria não pertencia à camada burguesa, o grande capital rentista e monopolista internacional serviu-se do PT como anteparo aos inevitáveis choques com o movimento social. Dessa maneira, ao primeiro sinal de que tinha passado a ser descartável como preposta para a implantação, no Brasil, da política de uma nova governança mundial, a camada dirigente do partido foi abandonada pelos verdadeiros donos do poder, que usaram o aparato do Judiciário para encarcerar exemplarmente aqueles políticos burocratas.

Por outro lado, o governo do PMDB também não é o preferido pelo capital monopolista internacional, e tem sido o alvo dos seus representantes no Brasil. É o PSDB que representa o grande capital internacional – financeiro e produtivo – e a fração empresarial brasileira a ele integrada. O programa do PSDB organiza e espelha os interesses desse setor da classe dominante.

Como consequência, o Palácio do Planalto está andando em uma corda bamba. Tudo leva a crer que se desenvolverá um desgaste cada vez maior de Temer e do PMDB para fortalecer o PSDB, prenunciando um mortal combate entre os dois partidos, numa luta selvagem pelo poder. Frágil e sem apoio popular, o governo Temer não tem para onde correr. Uma possível saída de Temer só pode beneficiar o PSDB. Se Temer cair no ano que vem, ocorrerá uma eleição indireta pelo Congresso, com tudo levando a crer que o Presidente será um nome do PSDB ou intrinsecamente a ele relacionado.

A crise política nacional continua em andamento e deve se aprofundar, com mudanças agudas e repentinas vindo a caminho.

Convém atentar para certas determinantes que podem conduzir a uma desestabilização total das instituições nacionais e fazer o levantamento de qual é o quadro objetivo e subjetivo das relações conjunturais. As condições objetivas para um rompimento com a ordem institucional e democrática no Brasil se estabelecerão caso o desemprego passe a ser um mal social permanente, com tendência a incrementar-se (já são mais de 12 milhões de desempregados), se as forças produtivas entrarem em decadência, se houver redução sistemática da renda das classes e diminuição do peso do País no mercado mundial. De par em par, haverá situação subjetiva para o rompimento da ordem democrática e institucional se a classe média passar a desconfiar de todos os partidos e a classe dominante considerar-se incapaz de salvar o sistema e dividir-se em frações.

Os brasileiros já olham com desconfiança para a política, os políticos e os governos, haja vista o alto nível de abstenção nas últimas eleições. Os oficiais-generais da ativa das Forças Armadas começam a observar com maior atenção este processo.

Cruzeiro-DF, 3 de dezembro de 2016

SALIN SIDDARTHA

A PERIGOSA FACE DA CRISE POR QUE PASSA O BRASIL – PARTE 1

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