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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 17 de agosto de 2018


Maria Rita chega a Brasília com show que promove mistura no repertório

Maria Rita chega a Brasília com show que promove mistura no repertório

O espetáculo, com produção e direção da própria cantora, reúne no roteiro músicas do novo disco

Por Correio Brasiliense/ Foto Divulgação - 10/05/2018 - 20:02:58

Gravar um disco em que coloca lado a lado no repertório Samba e swing, do saudoso Batatinha; e Pra Maria, de Marcelo Camelo, nome de destaque da cena contemporânea da MPB, poderia soar audacioso se fosse uma decisão tomada por outros intérpretes. Mas não por Maria Rita, que traz no DNA a ousadia de Elis Regina, de quem é filha e sucessora.

Essas duas canções inéditas foram registradas no Amor e Música, álbum que chegou ao mercado em janeiro último, no qual a cantora reitera sua paixão pelo samba, estilo musical que abraçou há 10 anos, ao lançar o CD Samba meu. Depois vieram outros com títulos que colocam em relevo, implícito e explicitamente, o mais representativo gênero musical brasileiro: Coração a batucar e O samba em mim — Ao vivo na Lapa.

Amor e Música dá nome também ao show que Maria Rita estreou em 3 de março na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, e, depois, seguiu em turnê pelo país, passando por capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Recife, João Pessoa e Salvador. No sábado, ela aporta em Brasília para apresentação no auditório master do Centro de Convenções UIysses Guimarães.

O espetáculo, com produção e direção da própria cantora, reúne no roteiro músicas do novo disco, entre as quais Cadê obá, Cutuca, Nos passos da emoção, Reza pra agradecer, Saudade louca, as citadas Pra Maria e Samba e swing, e a que dá título ao projeto. A elas, se juntam sambas que a cantora gravou — ou cantou em outros shows — como Bola pra frente, É, O homem falou, O bêbado e a equilibrista, O show tem que continuar, Tá perdoado e Vou festejar.

No palco, Maria Rita tem a companhia de um time de velhos conhecidos, formado pelos músicos Leandro Pereira (violão 7 cordas), Fred Camacho (cavaquinho), Alberto Continentino (baixo), Wallace Santos (bateria), Jorge Quininho e Adilsin Didão (percussão) e Ranieri Oliveira (teclado). A cenografia foi criada por Zé Carratu, a iluminação é de Arthur Farinon; e o figurino, de Walério Araújo.

Amor e Música

Show de Maria Rita e banda sábado, às 21h, no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Ingressos: R$ 80 (superior), R$ 120 (especial B), R$ 150 (especial A), 
R$ 180 (vip lateral), R$ 200 (poltrona vip), R$ 1.500 (sofá de quatro lugares). Assinante do Correio tem 55% de desconto sobre a inteira na compra de até quatro ingressos – valores referentes à meia- entrada. Pontos de venda: G2 do Brasília Shopping, Conjunto Nacional, segundo piso; e Pátio Brasil, terceiro piso.

Entrevista/ MARIA RITA

Aos 40 anos de vida e 15 de carreira, você tem o nome marcado na história da música popular brasileira. Como avalia esse feito?

Eu não sei se tenho... Às vezes, me pego analisando minha carreira, minhas conquistas… Me orgulho muito — especialmente tendo a história que tenho, com toda a “sombra” da árvore genealógica, no bom sentido. O simples fato de eu ter 15 anos de carreira, sabendo que muita gente apostava que eu duraria apenas o lançamento do primeiro disco, me considero vencedora, guerreira. Mas sou também sonhadora demais, e não sei bem se consegui o espaço que eu gostaria de ter atingido. Não sei mesmo. A indústria fonográfica anda me confundindo um pouco... (risos)

Com o Amor e música comemora 10 anos de inserção no samba. Como é, hoje, sua relação com esse universo?

Eu levei um tempo para me reconhecer sambista por causa desse respeito e pelo tamanho que eu sei que o samba tem. É uma manifestação cultural e nacional, de uma vida que tem princípio e uma longa história. Eu não achava que eu fazia parte dessa história até os sambistas fazerem uma música para mim, que está no Coração a batucar, que dizia: “Eu não nasci no samba mas o samba nasceu em mim”. Foi aí que entendi que sou sambista, porque ele nasceu mesmo em mim, e é onde eu me sinto mais plena, completa, relevante e compreendida. De fato, me encontrei no samba, o que me permite mostrar todas as minhas características não só como interprete, mas como pessoa. A gaiata, bagunceira, feliz, triste, dramática, dolorida, tem tudo isso ali e eu sou tudo isso também. Então como estou há tantos anos vivendo de samba, de fato, pagando minhas contas com o samba, minha relação com ele é completamente natural, é muito orgânica. Eu sou sambista, o universo da música que me deixa mais feliz é o samba e tudo que ele traz também!

Até que ponto o legado de Elis contribuiu para suas escolhas musicais?

Sinceramente, eu não penso na minha mãe ou no seu legado quando faço minhas escolhas. Desde muito cedo, tive que aprender a separar os papéis — a filha da Elis que sente saudade do que não foi e a filha “curadora” da “marca” Elis Regina. De certa forma, carrego os aprendizados desse exercício comigo pra sempre. No entanto, reconheço que, no início da minha carreira, resisti à proximidade com a minha mãe por julgar um caminho muito fácil, óbvio, ofensivo e preguiçoso. Não é a minha fibra.

No novo álbum músicas de compositores consagrados — de Batatinha a Moraes Moreira — estão lado a lado com criações dos sambistas da nova geração. A ideia era promover a mistura?

Não foi nada premeditado, eu não tinha uma ideia concreta. Amor e Música foi um disco em que eu não tinha um assunto em pauta como tinha nos meus outros discos. Não tinha uma proposta específica. Eu usei a ajuda dos amigos para achar o caminho desse disco e por isso as parcerias foram acontecendo naturalmente. Alguns amigos me mandaram material e eu liguei para outros perguntando se eles tinham música. Nada calculado, uma coisa muito íntima, coisa de amigos mesmo. Com o Batatinha a história foi diferente, Samba e Swing chegou até mim pela família dele. O Davi fez a ponte porque ele tinha uns conhecidos lá em Salvador, mas foi a família que mandou esse presente. E na hora que eu ouvi fiquei muito surpresa. É um privilégio danado, uma honra.

As canções desse novo trabalho têm funcionado bem no palco?

Tem funcionado, sim, e a recepção tem sido muito positiva, muito calorosa, uma sintonia superbacana. Os fãs me surpreenderam especialmente no Rio de Janeiro, na estreia na Fundição Progresso, cantando todas as músicas do show. Eu nem acreditei porque foi relativamente cedo, o lançamento da turnê foi próximo ao lançamento do disco e isso nem é muito bem-visto porque, supostamente, não dá tempo para o público comprar e aprender as músicas. Mas os meus fãs arrebentaram, eles cantaram tudo, da primeira à última música do show. Eu cheguei a ficar sem reação.

Que critério utilizou na criação do roteiro do show, com a inclusão de sambas gravados em discos anteriores?

Eu tento desenhar um roteiro diferente. Quando trago músicas de discos antigos, é porque sinto que elas têm muito valor emocional para o público. Uso o critério da saudade, escolho as músicas que a plateia mais sente falta e ainda tem muito carinho. Depois de anos na estrada já tenho um termômetro para isso, mas também dou valor ao que meus fãs me mandam nas redes sociais, as músicas que eles mais pedem.

Como tem sido a turnê do Amor e música?

Tem sido divertidíssima, a mesma banda que gravou comigo o disco está toda no show. Então está sendo um mergulho juntos, o tempo todo ali convivendo e isso cria uma cumplicidade muito bacana que eu acho que fica nítida no palco. Essa turnê é uma realização para mim, depois da frustração com o DVD, poder realizar esse projeto que me resume muito é uma felicidade, tem muita cor, luz, brilho e tudo que tem direito, está sendo lindo. Uma realização muito grande!

Chegar a Brasília — a chamada “Capital do Poder” — com esse espetáculo, quando o país vive um momento conturbado político-social, lhe traz que sensação?

Me traz uma inquietação enorme, porque eu sei que com esse show, estou sutilmente colocando alguns pingos em alguns “is”, jogando um sal numa ferida, resistindo — mas também dando voz e força à fé (de uma maneira também resistente a esses tempos intolerantes.). Tenho sentido isso todas as vezes em que subo no palco com esse show. Porém, a reação dos fãs nas redes sociais me alimenta, me estimula e me fortalece.

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