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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 22 de maio de 2018

Manaus respira boi-bumbá o ano todo

Manaus respira boi-bumbá o ano todo

Tradição que põe todo ano, Garantido e Caprichoso na disputa do Festival de Paritins, é vivida intensamente na capital do Amazonas

Por Gabriel Ambrós - Destak / Foto: Divulgação - 15/05/2018 - 15:59:00

Vermelho e branco de um lado, azul e branco de outro. Uma região inteira dívida pelas cores que não simbolizam nem partidos políticos, muito menos equipes de futebol. A divisão que corta o Amazonas há décadas é protagonizada por dois bois: os famosos Garantido e Caprichoso.

Motivo de conversas nos táxis, pontos turístico e comuns de Manaus, a celebração dos Bois-Bumba não se restringe somente ao tradicional Festival de Parintins, realizado sempre no último final de semana de junho, mas envolve ensaios e preparativos realizados meses antes dos integrantes tomarem o "Bumbódromo".

Antes do início da 53ª edição da "era moderna" do festival, a "galera", como são denominadas as torcidas de Garantido e Caprichoso, já participou tanto de ensaios dedicados ao lançamentos das toadas, composições que embalam o festival, deste ano, quanto dos mais engenhosos ensaios técnicos.

Com reconhecimento mundial e traços tipicamente regionais, o festival de Paritins coloca frente a frente autos populares de duas representações de bois-bumbá: de um lado o Garantido e de outro o Caprichoso.

Estruturada em três blocos, comum/musical, cênico/coreográfico e artístico, as apresentações são o ponto alto de uma cultura que acompanha a vida de amazonenses durante o ano todo. "Você consegue ver através desta festa o que é a miscigenação do migrante nordestino (do bumba-meu-boi do Maranhão), do cabloco amazônida e do índio brasileiro", explicou o presidente da Amazonastur (Empresa Estadual De Turismo Do Amazonas), Orsine Oliveira Jr.

Em meio a alegorias de tirar o folego, coreográfias precisas e uma "galera" apaixonada, a marujada de guerra (o mais próximo de uma bateria de escola de samba) dá o ritmo das toadas, cantadas pela figura do levantador e proporciona um momento único para todos os envolvidos pela cultura do boi-bumbá.

"O festival é algo sensacional no mundo, tanto é, que Paritins invadiu o carnaval do Rio do Janeiro com a sua forma de confeccionar alegorias, uma forma muito inteligente que os paratinense adotam para criar movimentos nas peças", ressaltou Orsine.

Palco imponente

Palco do esforço de todos os blocos, o Bumbódromo (Centro Cultural Amazonino Mendes), foi construído em 1988 na cidade de Paratins, a cerca de 370km de Manaus, e tem capacidade para 17,5 mil espectadores, divididos nas arquibancadas vermelhas, dedicadas a galera do Garantido, e nas azuis, dedicadas a galera do Caprichoso. Curiosamente, a construção foi feita no formato da cabeça dos bois.

"A arena (Bumbódromo) está encravada no meio da selva amazônica, onde você passa uma hora viajando de avião e só vê mato e de repente surge uma clareira, e nessa clareira, está lá, a apoteose", declarou Orsine.

Boi Caprichoso

A cultura do boi Caprichoso, também chamado de "boi mais querido da fazenda" surgiu ainda como uma brincadeira popular, em 1913, trazida por migrantes nordestinos que chegaram ao Amazonas, os irmãos Cid e os Gonzaga. Com o tempo, as influências das outras culturas moldaram a tradição do boi. Desde o início da disputa moderna do Festival de Parintins, o Caprichoso venceu 25 títulos, sendo o último ainda em 2017. O boi carrega, desde 1996, uma estrela azul em sua testa, representando suas cores.

Boi Garantido

O boi Garantido também foi criado em 1913 pelo compositor de toadas e pescador Lindolfo Monteverde e ganhou este nome pois o músico sempre exaltava, em suas composições, que era garantido que seu boi sempre sairia inteiro dos confrontos. Chamado de "o boi do povão", o Garantido já conquistou 31 títulos do Festival de Parintins, sendo assim o maior vencedor. O boi carrega sempre em sua testa um coração. Originalmente preto, a marca se tornou vermelha a partir dos anos 1980.

Ingressos para o festival

Os ingressos para aedição deste ano do Festival de Parintins seguem à venda e variam de R$180 a R$450 para uma noite e R$600 a R$1050 para os três dias de evento.

As vendas são feitas pela internet no site ingressorapido.com.br

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