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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 15 de agosto de 2018


Gente fingida e arteira. A ética do prostíbulo na política

Gente fingida e arteira. A ética do prostíbulo na política

O eleitor também contribui com sua parte.

Por Miguel Lucena* - 31/08/2017 - 08:13:10

Ao meu questionamento sobre a forma de parlamentares se queixarem da falta de atenção e carinho dos chefes de Poder Executivo, sem dizerem exatamente o que isso significa, um irmão mais velho respondeu narrando o constrangimento demonstrado por uma mulher de Patos, Paraíba, em razão de um homem lhe ter entregado o dinheiro do programa na frente de outros freqüentadores da casa de tolerância.

 

Quando o parlamentar reclama da falta de atenção a seus pleitos, não está querendo dizer que o Executivo travou algum projeto em benefício do povo, e sim que não atendeu sua lista de exigências pessoais, como cargos para parentes e amigos, coitadinhos, tão necessitados, e os lobbies que lhes garantem bons retornos financeiros.

O eleitor também contribui com sua parte, pressionando o político a buscar um jeitinho para seus interesses mais imediatos, como o pagamento de contas atrasadas.

 

Há também o político safado que manda seus eleitores explorarem determinado concorrente, como forma de exauri-lo antes do pleito começar, abandonando-o no meio do caminho.

 

Conheci na Bahia um deputado de esquerda que mandava sua turma entupir de pleitos os gabinetes dos parlamentares do partido, de modo a deixá-los ocupados, enquanto ele saía livre e solto pelo estado invadindo redutos e comprando votos com cestas básicas.

 

Há também os leiloeiros de apoio, que agem como os eleitores de antigamente, na época em que os chefes políticos podiam dar comida em dia de eleição. Comiam dos dois lados, a cada hora com uma camisa diferente, até estuporar.

 

Existe ainda o candidato pedinte, que arranca dinheiro de todos, prometendo dobradinhas, e não apóia ninguém. É mais conhecido como nota de 3 reais.

O fato é que, na hipocrisia generalizada em que vivemos, ninguém chama as coisas pelo nome certo, e a ética do prostíbulo manda passar o pagamento do programa escondido, por baixo da mesa.

 

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF e Jornalista

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