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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 19 de agosto de 2018


Frente Favela Brasil. Uma ideia desintegradora

Frente Favela Brasil. Uma ideia desintegradora

Pelo critério adotado, a meu ver, os mestiços deveriam ter maioria no Congresso, porque formam a maioria da população brasileira.

Por Miguel Lucena* - 01/09/2017 - 12:25:01

Tanto fizeram que houve a separação, diz o cancioneiro popular, de quem peço o verso emprestado para analisar o surgimento de um projeto de partido denominado Frente Favela Brasil, destinado a eleger negros ao Congresso Nacional.

 

Não basta apenas ser negro, tem de ser favelado. Homens bem-sucedidos como Pelé ou Ronaldo Fenômeno, mesmo sendo negros, não teriam vez, porque se exige a combinação de preto e morador de favela.

 

O partido aceita gente do asfalto, desde que se submeta às lideranças da favela.

 

“A gente não tem que votar para cobrar direitos, a gente tem que votar para ter poder. Queremos debater a política do Brasil sob o olhar de quem assina, não de quem pede ou apenas vota”, reivindica Celso Athayde, líder do movimento.

 

Um partido desse naipe tem o mesmo significado desintegrador da sociedade que um partido nordestino ou sulista, incentivando o apartheid entre brasileiros brancos e negros.

 

Além disso, ao alimentar a guerra entre afrodescentes e caucasianos, se é que existe descendência pura no Brasil, são excluídos os amarelos (índios) e mestiços, chamados de pardos pelos registros oficiais.

 

Pelo critério adotado, a meu ver, os mestiços deveriam ter maioria no Congresso, porque formam a maioria da população brasileira.

 

Aliás, antes da mestiçagem de brancos com negros, houve a mistura de portugueses com nativos índios e em seguida destes com os africanos, resultando no caboclo que vemos no Norte do País.

 

O Brasil não precisa de divisão, mas de união para superar as enormes dificuldades que enfrentamos e o histórico atraso que nos aprisiona em sentimentos de inferioridade.

 

É um sentimento que vem lá de trás, pela falta de um pai. Os brasileiros são filhos da mãe, pelo menos o foram durante mais de 100 anos, quando os portugueses fizeram filhos nas índias e nas negras e não assumiram a paternidade.

 

Os brasileiros foram conhecer o pai depois que os descendentes de índios, africanos e portugueses casaram entre si, mas uma parcela considerável da sociedade continua a perguntar quem é o pai desse menino.

 

É justo e legítimo que as populações de favelas e comunidades semelhantes se organizem para conquistar espaços de poder, mas a segregação é mais um passo em direção ao precipício em que nos encontramos.

 

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia do Distrito Federal e Jornalista

Comentários para "Frente Favela Brasil. Uma ideia desintegradora":

    • Sergio Oliveira

      Sexta-Feira, 01 de Setembro de 2017 -

      O que Lucena defende é o que eu (modestamente) falei pessoalmente aos líderes do movimento Favela Brasil. Disse a eles que o partido já nasce uma ku kux klan preta. Eles defendem não um partido de favela, mas um parto segregacionista negro. Até porque nas favelas vivem brancos, pardos, indios e etc., como é um partido voltado para a questão do negro, então nem pode ser aprovado no TSE porque é racista e divisiocinista. E uma afronta. É como o tal de bispo, um pilantra  da igreja plenitude que usa a tv para incentivar atos contra igrejas afro-brasileiras como a umbanda (e que o ministério da justiça já deveria ter tirado do ar e prendido o cara). O partido Favela deve ser dissolvido já, ou vai nos levar à uma guerra de preto contra quem não for preto. É a ku kux klan tupiniquim.

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