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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 20 de agosto de 2018


Fios de cabelos que constroem a rede solidária

Fios de cabelos que constroem a rede solidária

Com o material, quatro costureiras voluntárias criam perucas para pacientes em tratamentos de saúde que causam a queda de cabelo.

Da Redação / Do Estadão Conteúdo / Foto: Pixabay - 30/07/2018 - 20:54:33

Solidariedade, promessa, incentivo e retribuição são alguns dos motivos apontados por homens e mulheres que, recentemente, doaram ao menos 20 centímetros do cabelo para a ONG Rapunzel Solidária. Com o material, quatro costureiras voluntárias criam perucas para pacientes em tratamentos de saúde que causam a queda de cabelo. 

"Sempre ouvi de vários cabeleireiros que tinha cabelo que dava para duas pessoas. (...) Prestando atenção em familiares e amigos que tiveram câncer, pensei muito em como ajudar. Até que caiu a ficha", conta Janaína Rocha no Instagram. Na mesma rede social, por hashtags, recebedoras agradecem.

Criada em 2014 e transformada em ONG no ano seguinte, a Rapunzel Solidária surgiu da ação isolada da engenheira química Elizabeth Lomaski, de 54 anos. Ela teve a ideia após se recuperar de um câncer de mama. A receita vem de doações, uma delas anual, de um financiamento coletivo organizado por estudantes do 1.º ano de Administração da Faculdade de Informática e Administração Paulista. Neste ano, 27 alunos participam da iniciativa, na disputam com uma turma em prol da ONG Adus, que apoia refugiados. 

Segundo a professora Ana Cláudia Madaleno, o exercício contribui tanto para o desenvolvimento dos alunos quanto para os que recebem a doação - repassada integralmente. "É uma forma de divulgar, muitos alunos se tornam voluntários depois", diz. Um desses casos é do estudante Luis Henrique Oliveira Redondo, de 27 anos, que criou o projeto MyHope, pelo qual organiza um torneio de videogame em prol da Rapunzel Solidária. As primeiras etapas reúnem 32 times, com inscrição ao custo de R$ 125. A final será transmitida ao vivo de um bar em Pinheiros, na zona oeste paulistana. Além disso, outras edições, voltadas a outros jogos, devem se repetir até o fim deste ano.

Cofundador de uma equipe profissional de esportes eletrônicos, Redondo pretende criar uma alíquota para doar parte dos futuros lucros para a ONG - que conheceu este ano. "O pai da minha mãe de criação veio a falecer de câncer. Foi a primeira coisa que veio à cabeça, de que não posso virar as costas para uma coisa tão séria."

Financiamento

Além de doações pontuais, a ONG pretende lançar uma campanha para associados que se comprometerão a doar mensalmente. "Hoje estamos fazendo um mutirão do bem, pedindo para as pessoas colaborarem com R$ 10 para que a gente continue o trabalho", conta a fundadora e presidente, Elizabeth Lomaski. Com o valor, ela pretende investir R$ 2 mil em uma campanha com influenciadores digitais que deve ser lançada em agosto. 

Elizabeth calcula que, para 2019, a previsão é conseguir R$ 15 mil para ampliar a estrutura e pagar de três a quatro funcionários. Hoje, todo o trabalho é voluntário. Somente a touca que é usada nas perucas custa R$ 40. Em 2017, foram produzidas 1,8 mil peças. "A gente quer construir um trabalho sustentável."

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