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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 22 de julho de 2018


EUA indicam que só voltarão a atacar Síria se armas químicas forem usadas

EUA indicam que só voltarão a atacar Síria se armas químicas forem usadas

Centenas de sírios vão às ruas para celebrar reação do exército a ataques liderados pelos EUA

Estadão Conteúdo - 15/04/2018 - 01:16:00

O presidente Donald Trump celebrou neste sábado, 14, o resultado do bombardeio na Síria no Twitter com a exclamação “Missão Cumprida!”. A ofensiva foi limitada e planejada para evitar eventuais colisões com forças russas que operam no país. Segundo o Pentágono, o ataque não representa uma mudança da estratégia dos EUA na guerra iniciada há sete anos, nem é uma tentativa de derrubar o ditador Bashar Assad

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Coordenados com França e Reino Unido, os disparos da madrugada de hoje (4 horas na Síria, 22 horas de sexta-feira no Brasil) foram uma retaliação ao ataque com armas químicas nas imediações de Damasco há uma semana, no qual, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 70 pessoas morreram. O objetivo do bombardeio foi destruir três instalações ligadas à produção desse tipo de armamento e dissuadir Assad de usá-lo no futuro, disse a porta-voz do Departamento Defesa, Dana White. Novos bombardeios só serão realizados se outros ataques ocorrerem, afirmou. “Nossa missão continua a ser derrotar o Estado Islâmico”, declarou. “Os EUA estão prontos para disparar”, disse a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley. 

Tuítes postados por Trump no dia seguinte ao ataque químico sugeriam que a retaliação seria mais ampla que a executada na madrugada deste sábado. O presidente acusou a Rússia e o Irã de responsabilidade, em razão de seu apoio a Assad, e disse que um “alto preço” seria pago.  

Os bombardeios foram calculados para evitar a morte de civis e danos colaterais - nenhuma baixa foi confirmada pelo governo sírio -, disse o general Kenneth McKenzie, do Comando-Maior das Forças Amadas. O militar afirmou que antes, durante e depois da ofensiva os EUA usaram os canais de comunicação que mantêm com a Rússia para evitar conflitos indesejados.  

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McKenzie afirmou que foram lançados 105 mísseis por aviões e navios de guerra localizados no Mar Vermelho, no Norte do Golfo Árabe e no Leste do Mediterrâneo, o dobro dos que foram disparado há um ano, em retaliação a outro ataque com gases tóxicos. De acordo com o general, nenhum deles foi interceptado pelos 40 mísseis disparados por baterias antiaéreas sírias e todos atingiram seus alvos. O governo de Vladimir Putin divulgou que 76 mísseis haviam sido derrubados pela Síria. “A campanha de desinformação da Rússia já começou. Desde o ataque, nós detectamos o aumento de 2.000% nas atividades de trolls russos (nas mídias sociais)”, afirmou Dana. Outra diferença em relação à ofensiva do ano passado foi a participação de aliados nos bombardeios.  

“Obrigado à França e ao Reino Unido por sua sabedoria e o poder de suas excelentes Forças Armadas. Não poderia haver melhor resultado. Missão cumprida!”, tuitou Trump na manhã de sábado. Em 2003, seis semanas depois da invasão do Iraque, o ex-presidente George W. Bush apareceu diante de uma gigantesca faixa com os dizeres “Missão Cumprida” para declarar que as operações de combate no país haviam terminado. A guerra se prolongou por anos e ainda há tropas americanas no Iraque.  

Os críticos do ataque sustentam que qualquer ação deveria ser acompanhada de uma estratégia ampla para estabilizar o país, com a saída de Assad do poder. Os defensores da ação limitada ressaltam que uma mais ampla traria o risco de confrontos entre os EUA, a Rússia e o Irã, com consequências imprevisíveis.  

“Não vamos acabar com o extremismo permitindo a existência de um regime ditatorial que destruiu cidades inteiras, praticou limpeza étnica e usou armas químicas contra seu próprio povo”, disse ao Estado Nadim Shehadi, diretor do Centro Fares para Estudos do Mediterrâneo Oriental da Universidade Tufts. Na opinião dele, o governo Trump dá garantias a Assad ao declarar que não busca uma mudança de regime na Síria. “Os EUA mostram hesitação e fraqueza e não têm mais nenhuma influência na Síria.”

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Negociações

Dana disse que Washington continuará a buscar uma solução diplomática, no âmbito das negociações de paz de Genebra, que estão paralisadas. Criado pela ONU, o mecanismo teve seu último encontro há mais de um ano, sem conclusão. Ex-embaixador dos EUA na Síria, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Líbano e Kuwait, Ryan Croker disse que o foco apenas em instalações relacionadas a armas químicas envia a Assad a mensagem de que ele pode continuar a matar a população impunemente por outros meios. “Se for só isso, seria melhor que não tivéssemos atacado”, declarou em entrevista à CNN. 

“Mesmo se Assad for capaz de conquistar cada pedaço do território sírio, isso não criará estabilidade, mas levará a um tipo diferente de guerra e a mais conflitos nos próximos anos”, avaliou Nader Hashemi, diretor do Centro de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Denver, no Colorado, para quem os grandes vitoriosos nesse cenário são os extremistas. “O grupo que fatalmente tomará o lugar do Estado Islâmico usará o mesmo argumento de que os sunitas do Oriente Médio são vítimas, foram abandonados e não podem ter representação ou Justiça dentro da Síria porque o Irã controla o país por meio de Assad, com apoio da Rússia.”

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