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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 22 de julho de 2018


Elevador de Santa Justa: vale ou não vale a pena

Elevador de Santa Justa: vale ou não vale a pena

O Elevador de Santa Justa se apresenta em formato de torre e com um trabalho minucioso do ferro, chamado filigrana

Por Priscila Roque - Cultuga / Foto: Pixabay - 10/04/2018 - 22:59:26

Quem caminha pela Rua Augusta, em Lisboa, se surpreende com uma antiga torre de ferro imponente que aparece por entre aquelas travessas da Baixa. O Elevador de Santa Justa é um dos transportes centenários da capital de Portugal e que, certamente, divide opiniões quando o assunto é turismo. Afinal, vale a pena subir neste Elevador?

Elevador de Santa Justa: um pouquinho de história

Para os brasileiros, ao cruzar a esquina da Rua Augusta com a Rua de Santa Justa, uma frase é unânime: “Olha, não parece o Elevador Lacerda (Bahia)?“. Pois é, o Elevador de Santa Justa, em Lisboa, também faz a ligação vertical entre duas áreas importantes da cidade, mas a época e o estilo de construção são diferentes.

O Elevador de Santa Justa foi inaugurado no verão de 1902 e toda a sua estrutura de ferro fundido foi pensada pelo engenheiro Raoul Mesnier – que, apesar do nome afrancesado, era português, nascido no Porto. Inicialmente, esse elevador funcionava com tração a vapor. Entretanto, logo em 1907, passou a tração elétrica.

Na verdade, são dois os elevadores que compõem esse monumento – e com funcionamento de forma independente, manual. Eles transportam de 20 a 25 pessoas por viagem, em uma subida/ descida equivalente a 7 andares. É considerada uma obra-prima da Arquitetura do Ferro e este elevador foi classificado como monumento nacional em seu centenário (2002).

Raoul… Quem?

Durante sua fase adulta, Raoul estudou fora do país e formou-se em engenharia. Ao retornar a Portugal, foi o responsável por uma obra inédita na Península Ibérica – e que talvez você já conheça: o elevador do Santuário do Bom Jesus, em Braga (de 25.03.1882 – exatamente 100 anos antes de eu nascer rs.) – que está em funcionamento até hoje e nunca sofreu nenhum acidente.

O sucesso desse transporte foi tão grande, que o Raoul se tornou o responsável pela maior parte dos ascensores, funiculares e elevadores do país nesta virada do século XIX para XX. De Lisboa, todos. Os ascensores do Lavra, da Bica e da Glória, que permanecem ativos atualmente, também são projetos dele, para você ter noção da dimensão de sua importância.

A inauguração do Elevador de Santa Justa

Mas, diferente de todos esses ascensores ou funiculares (alguns que até parecem bondinhos), o Elevador de Santa Justa se apresenta em formato de torre e com um trabalho minucioso do ferro, chamado filigrana.

Elevador de Santa Justa - Lisboa

Apesar de ser um transporte público original, sua construção também tinha um objetivo cultural e social. Recentemente, li no livro “Lisboa dos Elevadores”, de Maria Amélia Lemos Alves, que em sua inauguração havia um restaurante/ café lá no topo (mas não é aquele que funciona hoje na passagem para o Largo do Carmo). O dia foi de verdadeira festa e celebração, quando subir da Baixa ao Chiado não era apenas ser transportado pelo elevador, mas socializar e se divertir.

A minha experiência

Quando estive em Lisboa pela primeira vez, há pouco mais de 10 anos, estava ansiosa para subir ao Chiado pelo Elevador de Santa Justa e achei aquela experiência muito gratificante. Na época, alimentava uma paixão muito profunda pela capital portuguesa antes mesmo de conhecê-la pessoalmente. Portanto, utilizar seu transporte centenário foi, verdadeiramente, deslumbrante para mim.

Apesar do percurso ser muito rápido, a estrutura se mantém original e aqui está seu valor. Depois de viajar por um breve minuto até o topo, toda Lisboa antiga se abre para nós, como foi naquele verão de julho do início do século passado, na inauguração.

Miradouro Elevador de Santa Justa

A subida ao miradouro do Elevador de Santa Justa é paga a parte
Por isso, aqui vai a minha primeira dica: faça esse programa, necessariamente, em um dia de sol – se você pretende conhecer o mirante (atenção que essa etapa é feita por uma escada de ferro em caracol. Infelizmente, não é acessível para quem tem restrições de mobilidade).

Eu e o Rafa no topo do Elevador de Santa Justa neste último inverno
Agora no finalzinho de janeiro, eu e o Rafa tivemos a oportunidade de retornar ao Elevador de Santa Justa e ao seu mirante a convite da CarrisTur, a empresa que gere os transportes turísticos oficiais de Lisboa. Eles nos convidaram para conhecer todo o circuito que oferecem na cidade – e que inclui o Elevador de Santa Justa, todos os ascensores, todos os elétricos, um barco, duas linhas de ônibus especiais que fazem conexão com o Aeroporto e ainda as três linhas de ônibus turísticos que, juntos, cobrem todas as atrações de Lisboa (daqueles panorâmicos) – em breve, teremos artigos sobre cada um desses passeios.

Mesmo morando aqui há 5 anos, há momentos que trago aquela Priscila de 2007 para reviver bonitas memórias de quando eu ainda estava desvendando Lisboa pela primeira vez. E mesmo passando várias vezes por semana em frente ao Elevador de Santa Justa durante os nossos tours, fazer seu uso como uma turista em minha própria cidade me fez tão bem. Me deixou tão feliz.

Por que o Elevador de Santa Justa divide opiniões?

Vejo viajantes dizendo que o Elevador de Santa Justa é uma pegadinha para turistas no TripAdvisor. Mas, por que isso acontece?

Na minha opinião, quem propaga que um Monumento Nacional é uma fria para o viajante, o faz por desconhecimento de sua importância histórica para a cidade e/ ou por não saber fazer o melhor uso dele.

Sem o utilizador, não há meios de mantê-lo em funcionamento e em bom estado, como um dos documentos vivos da história de Lisboa. É claro que ele não é mais um transporte público da cidade e se tornou somente uma experiência para quem visita a capital. A geografia mudou, as necessidades mudaram. E isso não faz dele menos importante para o cenário típico lisboeta.

Agora, a questão do preço. Uma subida e descida custa 5,15€ + 1,50€, se você também quiser subir as escadinhas para o mirante do Elevador. É caro para o padrão de Lisboa? É. Mas essa não é a melhor forma de fazer uso dele. Aqui está o pulo do gato.

Se você quer ter essa experiência, há duas maneiras que eu indico: a primeira é utilizando os circuitos da CarrisTours, que incluem a subida ao Elevador e ao mirante, tal como nós fizemos (e você já aproveita para desfrutar e se divertir nos outros transportes públicos centenários e modernos da cidade). A segunda é comprando o bilhete de 24h dos transportes públicos de Lisboa (que você pode fazer nas máquinas do metro), quando o uso do Elevador de Santa Justa está incluído (e, assim, você só paga o mirante como extra, a 1,50€).

Um outro ponto importante é o tempo de espera. Para quem viaja no inverno, o fluxo de pessoas é menor. No finalzinho de janeiro deste, por exemplo, estávamos por lá em uma quarta-feira, às 16h30. Ficamos 10 minutos na fila, apenas. Para quem viaja durante a alta temporada, o início da manhã é sempre melhor.

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