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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 19 de agosto de 2018


Como um governo dito socialista pode aproximar o estado da sociedade

Como um governo dito socialista pode aproximar o estado da sociedade

A mais importante função de um governo é a de aproximar o Estado da sociedade, e o autoritarismo e o centralismo é o que mais afasta o governo dessa função

Por Salin Siddartha - 19/09/2017 - 18:59:05

Uma das principais características de um governo de esquerda ou socialista, no capitalismo, é a de priorizar o enfoque no desenvolvimento das forças produtivas. Isso significa investir no trabalhador, na melhoria das condições de trabalho, no avanço das conquistas sociais, econômicas jurídicas e humanas, por intermédio da geração de mais emprego e renda, aumentando e melhorando a distribuição da riqueza e derrubando os entraves condicionantes das relações sociais de produção existentes.

Ao contrário, um governo de direita procura, principalmente, conservar as relações de produção existentes na sociedade de classes ou torná-las mais rígidas do que já são. Isso se dá, não importa sob que pretexto, pela quebra dos direitos sociais adquiridos historicamente pelos trabalhadores, acentuando mais a acumulação concentrada do capital, priorizando o investimento na especulação financeira em detrimento da produção de bens e serviços. Ele governa para o mercado em vez de ter a sociedade como seu foco, privatiza os bens e equipamentos públicos, diminui ao máximo o tamanho do Estado. Para atingir os seus objetivos, prejudica o Estado Democrático de Direito, reprime os movimentos sociais, desregulamenta o trabalho. Nesse sentido e, agindo assim, qualquer governo que se declare de esquerda é um engodo.

É verdade que um programa de governo não é necessariamente um programa de partido, pois depende de alianças e composições políticas que se estabeleçam, mas deve procurar ser o mais fiel possível ao que foi construído no seio partidário e realizar o que se determinou no decorrer de sua elaboração. Caso contrário, o governo afunda no estelionato eleitoral, que se traduz no distanciamento das massas que o elegeram, e desmoraliza a governabilidade.

No marco das discussões sobre as questões econômicas, financeiras e trabalhistas dos variados programas de governo brandidos pelos diversos partidos para o Distrito Federal, agora que se avizinham as eleições do próximo ano, é patético observar que a ausência de uma política de desenvolvimento econômico, tanto do Governo atual quanto dos que o antecederam, acentuou impactos sobre o emprego, a renda e as condições de vida da população. Na realidade, as políticas públicas de crescimento econômico do Distrito Federal têm sido “passivas”, isto é, elas esperam que o poder de compra do funcionalismo, somado à capacidade de gasto do governo, gerem uma sinergia que se irradie pela sociedade, mas não é bem assim que pode ocorrer o crescimento econômico no DF.

Há urgência de se avançar rapidamente no processo de descentralização do orçamento, bem como da gestão financeira e administrativa na Capital da República, em comparação com o ritmo observado na experiência centralizadora adotada hoje pelo GDF. O excesso de burocracia e hierarquização, além de afastar o Governo da população, redunda em risco de corrupção, falta de transparência e diminuição da democracia. Por tal razão é que uma concepção de governo em rede, descentralizado e horizontalizado deveria ser posta em prática no Distrito Federal.

 

Cruzeiro-DF, 17 de setembro de 2017

 

SALIN SIDDARTHA

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