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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 15 de agosto de 2018


Brasil: Uma Guerra de Foices no Escuro

Brasil: Uma Guerra de Foices no Escuro

Já se cogita o nome de Fernando Henrique Cardoso para o ano que vem

Por Salin Siddartha - 22/12/2016 - 09:33:53

Pondo de lado as aparências, a realidade política é uma questão de luta de interesses materiais. A conjuntura política não se espelha por si mesma, mas é necessário perscrutar o que se esconde por baixo dos discursos e das notícias que se leem. No caso conjuntural brasileiro, a crise política e a crise institucional aprofundam-se cada vez mais – e, se a situação política é crítica, a econômica é ainda pior.

 

As classes dominantes encontram-se encalacradas eleitoralmente, perdidas nas questões que envolvem a tramitação e a elaboração das leis no Congresso Nacional e não acham meios de regular os conflitos internos que as confrontam entre si. Historicamente, nas situações de descrédito generalizado do sistema, o Judiciário se coloca no papel de árbitro supremo entre as classes e suas frações; mas, apesar de isso estar ocorrendo no Brasil, a Toga não tem conseguido agir à vontade e com a habilidade necessária para aplacar e regular os conflitos internos que extravasam da plutocracia no País.

 

Existe um embate entre o rentismo (representado pelo mercado financeiro e as grandes empresas monopolistas internacionais) e o setor produtivo brasileiro sem lugar determinante no processo de fusão de capitais, marcadamente representado pelas empreiteiras e pelo mercado da construção civil em geral, que passam por um processo de destruição do seu campo de atuação. A politica levada a cabo pelo capital internacional monopolista é a de reduzir drasticamente as grandes empresas genuinamente nacionais e, com isso, a própria economia brasileira, para alargar ainda mais seu controle do mercado latino-americano e mundial. Ressalta esse aspecto o fato de a produção industrial ser a pior dos últimos três anos, o que afeta os empresários nacionais, que ficam com um campo mais estreito de lucro. Estamos face a face com um ataque à economia nacional, traduzido, sobretudo, no aumento do desemprego.

É muita pretensão achar que somente o mercado imobiliário e as empreiteiras brasileiras se submeteram ao corrupto jogo do propinoduto, tratando os bancos e os especuladores financistas como verdadeiras forças íntegras da moralidade, tais quais vestais incorruptíveis – exatamente os que exploram a jogatina financeira no mercado de capitais. Então, por que somente as grandes empreiteiras (Odebrecht, Andrade Gutierres, etc.) estão queimando na pira expiatória pública das delações premiadas e das condenações judiciais?

 

É verdade que, especialmente após os acordos de leniência, nenhuma empreiteira brasileira tem mais condições de fazer contribuição ilícita para campanhas eleitorais. Mas... e o resto do mundo capitalista que se abriga no Brasil?

 

Está claro que o Poder Judiciário vem agindo politicamente, de modo bonapartista, elevando-se como um Poder acima dos demais Poderes, interferindo sobre todos eles, utilizando, inclusive, meios de manipulação da população que se expressa em praça pública. Nesse aspecto, as delações da Odebrecht têm valor político para afetar principalmente a dupla Temer-Dilma e seus respectivos partidos. Elas cravam uma lança no coração do PT e do PMDB.

 

É interessante atentar para o fato de que, embora a grande imprensa esteja a noticiar que a Odebrecht delatou caixa 2 para a chapa Dilma e Temer, na campanha de 2014, nenhum dos 37 membros daquela empreiteira que depuseram na ação que investiga a chapa mencionou ao Tribunal Superior Eleitoral, até agora, qualquer pagamento de caixa 2 diretamente para a campanha da dupla.

 

O PT, como maior e mais importante partido da esquerda, não consegue nem mais reagir às investidas da direita, e o PMDB, como o partido que melhor tem representado o empresariado genuinamente nacional, é, agora, o principal foco do ataque do capital monopolista internacional. O enfraquecimento do PMDB abre caminho para construção da hegemonia de setores da direita mais conservadora e do empresariado ligados ao mercado financeiro e às multinacionais. Por isso, a grande imprensa e a direita já cogitam derrubar Michel Temer.

 

É certo que o atual Governo é uma frente entre PMDB-PSDB, com predomínio do primeiro, porém o objetivo da ala mais alinhada aos interesses hegemônicos da governança mundial é que seja substituído por um Governo PSDB-DEM em composição com outros partidos que, tradicionalmente, sempre se alinharam a tal bloco histórico. O fim do Governo Temer está cada vez mais próximo (parte da base aliada começa a dar sinais de que poderá abandoná-lo).

 

Já se cogita o nome de Fernando Henrique Cardoso para o ano que vem.

 

A PERIGOSA FACE DA CRISE POR QUE PASSA O BRASIL – PARTE 2

 

SALIN SIDDARTHA

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