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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 20 de fevereiro de 2018

Beija-flor tem papel importante contra perigos, como o mosquito Aedes

Beija-flor tem papel importante contra perigos, como o mosquito Aedes

Por ter metabolismo acelerado, esses pássaros precisam de outro alimento além do néctar, como proteínas encontradas em insetos

Por Renata Nagashima* e Verônica Holanda*/Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 08/02/2018 - 14:33:07

Quem vê o beija-flor com toda sua elegância entre as flores não imagina que, além de beleza, esse pequeno animal também tem um papel importante na natureza e, acima de tudo, no cenário que estamos enfrentando. Esse pássaro, além de deixar o jardim mais bonito ajuda, também, a combater alguns vilões, como o Aedes aegypti, mosquito que transmite doenças como a dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

Para muita gente, os beija-flores só se alimentam de néctar. Porém, por ter um metabolismo muito acelerado, a ave precisa de outras proteínas, essas encontradas nos insetos. O pássaro come em média 2 mil mosquitos por dia, se tornando assim, um fator importante para o combate de mosquitos. A única incógnita era como atrair uma quantidade considerável de beija-flores para obter um resultado eficaz.

Foi a partir da observação de uma série de problemas no ecossistema de grandes cidades pelo mundo que o administrador regional do Lago Norte, Marcos Woortman, criou o projeto Rua Florida, no Viveiro do Lago Norte, com propósito de doar mudas e educar a comunidade a plantar tipos de vegetações que atraem beija-flores. “A grande verdade é que, a partir do momento que a gente tem um equilíbrio nas cidades, deixamos de ter uma série de problemas, entre eles surtos de doenças transmitidas por mosquitos”, comenta. Woortman recorda que sempre se interessou por beija-flores, desde pequeno observava e estudava os benefícios da ave para o ecossistema. Então, nos últimos quatro anos, ele fez questão de conhecer muitos exemplos em diversas cidades que têm trabalhado arduamente para equilibrar o ecossistema. “A gente tem que pensar na cidade como um ecossistema. As pessoas pensam na cidade, geralmente, como uma exceção, mas a cidade é um ecossistema muito importante e ela pode estar equilibrada ou não, eu prefiro ajudar a equilibrá-la.”

Prevenção

O cientista político, especialista em participação social e sustentabilidade, trouxe então os conhecimentos adquiridos fora e os aplicou no Lago Norte. Ele ressaltou que a cidade é subtropical e foi muito devastada. Assim, animais predadores de mosquitos perdem seu refúgio, por isso, é preciso reconstruir esse habitat.

Apesar de o perigo ser de conhecimento público, ainda há muitas calhas, piscinas descobertas e poças de água que contribuem para a proliferação de mosquitos, e para acabar com este problema, é preciso incentivar a criação de locais para os predadores. A partir dessa necessidade, voluntários do Viveiro do Lago Norte decidiram juntar o projeto jardim dos polinizadores e o rua florida, ambos no viveiro da península, para ensinar a comunidade sobre as plantas que atraem beija-flores.

Hoje, o projeto auxilia a comunidade local sobre as plantas que mais atraem beija-flores e cerca de 30 espécies estão disponíveis para doação, sendo que cada pessoa pode levar até cinco mudas para casa.

A professora de canto e agrônoma Ana Maria Castro Borges, 56 anos, é proprietária de uma chácara na colônia agrícola Alto do Urubu e conta que conheceu o projeto há cerca de dois anos, por meio da administração do Lago Norte. Desde então, ela visita o viveiro com frequência para receber as mais diversas mudas. “Eu gosto de plantas, isso traz diversidade imensa. E o viveiro facilitou isso para todos nós, pois tem uma variedade muito grande de mudas e é acessível.”

A carioca afirma que, depois que começou a plantar as mudas disponibilizadas pelo viveiro, notou mais cores no jardim. “Não prestei muita atenção se realmente tem menos mosquitos aqui, mas com certeza tem mais beija-flores e está mais bonito.”

Ana Maria diz, ainda, que o viveiro é importante por incentivar também pessoas, como a aposentada Elenice dos Santos, 75 anos, que não tinham costume de plantar, a florir a cidade.

Elenice conta que sempre gostou de jardinagem e procurava plantar algumas espécies de plantas floríferas no quintal de casa. Mas, quando ganhou de presente da filha, de 27 anos, cinco mudas do Viveiro do Lago Norte, ela começou a gostar da atividade e passou a plantar também no condomínio onde mora, no Park Way. “Ela me falou do trabalho que faziam no viveiro e me entregou as mudas. Como eu não tenho muito espaço em casa, plantei pelo condomínio, e quando começaram a florar, choveu de beija-flor por aqui”, conta.

A paraibana afirma que notou redução de insetos e confessa gostar da companhia das pequenas aves. “É uma alegria muito grande eu sair no quintal e ver tanta cor, tanta vida. Até o ar parece estar melhor. Tem dias que fico horas observando os beija-flores. Além disso, depois que eles chegaram, as abelhas foram embora!”, comemora ela, que pretende continuar visitando o viveiro para aumentar a diversidade em casa.

* Estagiárias sob a supervisão de Igor Silveira

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