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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 15 de agosto de 2018


As lições do impeachment

As lições do impeachment

Para que nunca mais precise ser reeditado

Por SALIN SIDDARTHA - 26/08/2016 - 08:28:07

Iniciou-se, ontem, um momento decisivo para o futuro do País. A Nação, preocupada ante o desenrolar dos acontecimentos, vê chegar ao fim o desgastante processo de impedimento da Presidente Dilma Rousseff, que tanto dividiu o Brasil.


Com uma situação quase impossível de reverter, os aliados de Dilma no Senado Federal procuram postergar ao máximo o tempo que lhe resta no Palácio da Alvorada. É tática exploradíssima pelo Partido dos Trabalhadores acusar como “golpe” o impeachment - um instrumento que, na verdade, é constitucional e tem tido seu andamento dentro dos princípios do Estado Democrático de Direito. ...

 

O amplo direito de defesa e do contraditório é praticado tanto no Senado Federal quanto o foi na Câmara dos Deputados e, em sã consciência, nunca poderia ocorrer “golpe” num marco em que todos os procedimentos para o cumprimento do devido processo legal são aplicados, de forma a que haja o trânsito em julgado da medida proposta para afastar, definitivamente, a Presidente do seu cargo. Então, fica nítida a falácia de querer apelidar de “golpistas” os Parlamentares que se posicionam favoravelmente ao impedimento.

 

Apesar de um exaustivo trâmite no Congresso Nacional, desde a proposta de impeachment até a fase derradeira que se iniciou, a Nação, pela primeira vez em muitas décadas, mostrou-se dividida. Brasileiros foram às ruas para protestar pró e contra a Presidente e, mais do que isso, o povo chegou a digladiar-se em diversos momentos nos logradouros públicos. Em certas horas, passamos por apavorantes situações em que a política transformou-se em palco de batalha entre pessoas da mesma família, do mesmo local de trabalho, do mesmo prédio.

 

Graças a Deus, a índole predominante em nossa população é pacífica e ordeira, caso contrário teríamos um País em um embate civil de proporções comprometedoras para a paz e a ordem. A lei sempre prevalece e as instituições nacionais demonstraram-se sólidas e atuantes, usando a República de seu legítimo sistema de freios e contrapesos para o anteparo necessário a fim de evitar que os extremismos se sobrepusessem à razão.

 

Por outro lado, a chamada Operação Lava-Jato corajosamente subsidiou os corações e as mentes de nossos líderes e de nosso povo para que repudiassem as falcatruas de quem, em nome de um partido político ou de uma ideologia, usasse de artifícios escusos para manter-se no Poder.

 

Ao final deste período que parece encerrar-se até o início da próxima semana, vem o desejo de que o Presidente Michel Temer tenha a sabedoria, o comprometimento e a serenidade para fazer o Brasil retomar o equilíbrio de que sempre foi exemplo, efetuar as reformas, conter os gastos desnecessários e passar uma borracha em tudo o que deve ser esquecido em prol da união do País.

 

Quanto ao Partido dos Trabalhadores, ilude-se quem acredita em seu fim como instituição política. Não importa qual seja a posição ideológica que se defenda, há que se reconhecer que se trata de um grande partido, que tem dado sua parcela de contribuição à construção de nossa República, apesar dos desvios que alguns de seus dirigentes impuseram àquela agremiação política.

 

Por fim, fica disso tudo uma lição: que ninguém mais se julgue acima da lei ou acima do bem e do mal, pois a dimensão humana civilizada tem limites conquistados pela própria humanidade no decorrer de sua História, e quem mal proceder terminará pagando o trágico preço de cumprir por intervenção da Justiça uma pena modelar para todos.

Que o impeachment seja a redenção das aspirações brasileiras e encerre um capítulo da nossa política como um exemplo. Mas que fique como exemplo para sempre. Para que nunca mais precise ser reeditado.

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