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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 21 de agosto de 2018


A era do futebol analítico

A era do futebol analítico

Depois de uma Copa marcada pelo uso da tecnologia, esporte assume novas características

Do Destak/foto: Reprodução - 18/07/2018 - 07:39:18

Um dos maiores protagonistas da Copa não tinha a velocidade de Mbapee ou os títulos de CR7 e a habilidade de Messi, ainda assim, o VAR literalmente foi determinante em várias partidas e, enquanto símbolo, inaugurou a nova era do futebol na qual o esporte caminha lado a lado com a tecnologia.

 

Pois, acredite ou não, os resultados não mais dependem só dos atletas em campo, mas de uma equipe de técnicos, analistas e cientistas que se debruçam sobre dados, estatísticas e informações que mudarão a cara do futebol. Essa categoria de profissionais ganha cada vez mais influência no futuro do esporte.

A evolução tecnológica no futebol é algo gradativo. Nas últimas décadas, refletiu-se em melhores chuteiras, material aprimorado para as bolas, equipamentos e até mesmo na qualidade dos gramados, redes de gol e uniformes. 
 

"No entanto, de uns dez anos para cá, além da constante presença da análise de vídeo, os estudos fisiológicos com monitoramento dos atletas e desenvolvimento de softwares de análise de jogo intensificaram-se", disse o doutor em biodinâmica do movimento e consultor acadêmico da Universidade do Futebol Bruno Pasquarelli.

Vide o exemplo da Croácia, país com a quarta menor população entre os participantes do Mundial, que obteve desempenho inédito na competição. A seleção utilizou um software desenvolvido em Chicago, EUA, por uma empresa que se vale de uma plataforma que, por meio de inteligência artificial, compara estilos de jogo, analisa performance de times e estuda mudanças de jogo para reverter cenários. De acordo com matéria publicada no site Bleacher Report no sábado (14), a Croácia foi a única equipe a usar o programa STATS Edge na Rússia.

Tendência
A tendência global é que cada time possua um centro de estudos internos que analise cotidianamente a performance dos próprios jogadores em treinos e nas partidas oficiais. 

Seja por meio de geolocalizadores nos atletas ou por sistema de câmeras, dados são gerados e processados por programas responsáveis por cálculos de probabilidades que auxiliam na criação de jogadas ensaiadas, comparações, pesquisas e informações com o intuito de estudar não só os adversários, mas o próprio time em si.

"Além dos padrões dos oponentes, detectar os padrões da própria equipe é importante para diagnosticar brechas e defeitos a serem superados por treinos que têm como respaldo e fio condutor estatísticas extraídas diretamente do jogos", descreve Pasquarelli.

Conforme o estudioso, atualmente, o futebol europeu é ponta de lança no uso de tecnologias que analisam jogos e de plataformas que estudam desempenhos, mas em breve a China e os EUA disputarão espaço por esse mercado no âmbito da criação de programas. 

Pasquarelli afirma que o Brasil ainda está um pouco distante dessa realidade, mas o país já passou a estudar metodologias de treinamentos mais tecnológicas, como a periodização tática vinda de Portugal, apenas para mencionar um exemplo.

"À medida que a tecnologia aumenta no futebol, mais analítico será o esporte e a quantidade de informação gerada, vinda de diversos recursos, tornará os bastidores fora do campo algo interdisciplinar que exigirá domínio de várias áreas por parte dos profissionais e profundas mudanças no mercado", concluiu Pasquarelli.

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